Todos os jogos de Ronaldo pelo Cruzeiro

16/02/2011

Confira aqui a lista de todos os jogos e todos os gols de Ronaldo pelo time profissional do Cruzeiro.

Data
Local
L
V
Visitante
Gols
Torneio
25/05/1993 Cruzeiro
1
0
Caldense
0
Mineiro
28/07/1993 Cruzeiro
2
1
Atlético-MG
0
Amistoso
01/08/1993 Cruzeiro
1
1
Benfica (POR)
0
Amistoso
03/08/1993 Cruzeiro
2
0
Belenenses (POR)
1
Amistoso
06/08/1993
Cruzeiro
3
0
Peñarol (URU)
1
Amistoso
08/08/1993
Cruzeiro
1
3
Porto (POR)
0
Amistoso
17/08/1993
Cruzeiro
0
1
América-MG
0
Amistoso
25/08/1993
Cruzeiro
0
0
Ideal
0
Amistoso
29/08/1993
Cruzeiro
2
1
Guarani-MG
2
Amistoso
07/09/1993
Cruzeiro
0
2
Corinthians
0
Brasileiro
12/09/1993
Cruzeiro
3
1
Bahia
1
Brasileiro
15/09/1993
Cruzeiro
0
1
Bragantino
0
Brasileiro
18/09/1993
Cruzeiro
1
2
Flamengo
1
Brasileiro
26/09/1993
Cruzeiro
0
0
São Paulo
0
Brasileiro / Recopa
29/09/1993
Cruzeiro
0
0
São Paulo
0
Recopa
03/10/1993
Cruzeiro
0
3
Internacional
0
Brasileiro
05/10/1993
Cruzeiro
6
1
Colo-Colo
3
Supercopa
09/10/1993
Cruzeiro
3
0
Botafogo
1
Brasileiro
12/10/1993
Cruzeiro
3
3
Colo-Colo
2
Supercopa
17/10/1993
Cruzeiro
1
0
Botafogo
1
Brasileiro
20/10/1993
Cruzeiro
1
2
Nacional (URU)
1
Supercopa
24/10/1993
Cruzeiro
1
2
Flamengo
0
Brasileiro
28/10/1993
Cruzeiro
3
2
Nacional (URU)
2
Supercopa
31/10/1993
Cruzeiro
1
0
Bragantino
1
Brasileiro
05/11/1993
Cruzeiro
1
1
São Paulo
1
Brasileiro
07/11/1993
Cruzeiro
6
0
Bahia
5
Brasileiro
10/11/1993
Cruzeiro
1
2
Corinthians
0
Brasileiro
14/11/1993
Cruzeiro
4
1
Internacional
1
Brasileiro
28/11/1993
Cruzeiro
4
0
Flamengo-SAM-MG
4
Amistoso
30/01/1994
Cruzeiro
4
2
Villa Nova-MG
1
Mineiro
02/02/1994
Cruzeiro
0
0
Democrata-GV
0
Mineiro
05/02/1994
Cruzeiro
2
0
Mamoré
1
Mineiro
09/02/1994
Cruzeiro
1
1
Verdi Tokyo (JAP)
0
Amistoso
11/02/1994
Cruzeiro
3
1
Jubilo Iwata (JAP)
3
Amistoso
20/02/1994
Cruzeiro
4
2
Valeriodoce
2
Mineiro
23/02/1994
Cruzeiro
2
0
Atlético-TC
2
Mineiro
25/02/1994
Cruzeiro
3
0
Alfenense
2
Mineiro
27/02/1994
Cruzeiro
1
0
Uberlândia
1
Mineiro
02/03/1994
Cruzeiro
0
2
Palmeiras
0
Libertadores
06/03/1994
Cruzeiro
3
1
Atlético-MG
3
Mineiro
09/03/1994
Cruzeiro
1
1
Vélez Sársfield (ARG)
1
Libertadores
13/03/1994
Cruzeiro
2
0
América-MG
0
Mineiro
16/03/1994
Cruzeiro
2
1
Boca Juniors (ARG)
0
Libertadores
25/03/1994
Cruzeiro
2
1
Palmeiras
0
Libertadores
27/03/1994
Cruzeiro
8
0
Villa Nova-MG
2
Mineiro
31/03/1994
Cruzeiro
0
2
Vélez Sársfield (ARG)
0
Libertadores
03/04/1994
Cruzeiro
1
1
Mamoré
1
Mineiro
06/04/1994
Cruzeiro
2
1
Boca Juniors (ARG)
1
Libertadores
10/04/1994
Cruzeiro
4
1
Atlético-TC
0
Mineiro
13/04/1994
Cruzeiro
3
1
Caldense
2
Mineiro
17/04/1994
Cruzeiro
1
1
Valeriodoce
0
Mineiro
21/04/1994
Cruzeiro
0
1
Unión Española (CHI)
0
Libertadores
24/04/1994
Cruzeiro
4
0
Uberlândia
3
Mineiro
28/04/1994
Cruzeiro
0
0
Unión Española (CHI)
0
Libertadores
01/05/1994
Cruzeiro
1
1
Atlético-MG
0
Mineiro
08/05/1994
Cruzeiro
6
1
América-MG
1
Mineiro
15/05/1994
Cruzeiro
1
0
Patrocinense
1
Mineiro
07/08/1994
Cruzeiro
1
1
Botafogo
1
Amistoso

Resumo:

1993 1994
Jogos Gols Jogos Gols
Amistosos 9 8 3 4
Campeonato Mineiro 1 0 18 22
Campeonato Brasileiro 13 12 0 0
Campeonato Brasileiro / Recopa 1 0 0 0
Recopa Sul-americana 1 0 0 0
Supercopa Libertadores 4 8 0 0
Taça Libertadores 0 0 8 2
TOTAL 29 28 29 28
1993 1994 Total
Jogos Gols Jogos Gols Jogos Gols
Amistosos 9 8 3 4 12 12
Competições oficiais 20 20 26 24 46 44
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Cruzeiro 90 anos

02/01/2011

A história do Cruzeiro

O início – Palestra Itália

Bello Horizonte, final da década de 1910 e início da década de 1920. O futebol era um esporte que crescia rapidamente em popularidade. A colônia italiana era uma das que tinha maior presença na cidade, mas não possuía um clube tipicamente seu, o que na cidade de São Paulo aconteceu em 1914, com a criação do Palestra Itália, que hoje é o Palmeiras. Em BH o time do Yale tinha em seu elenco a participação de descendentes de italianos, mas não era um clube forte o suficiente para rivalizar com as potências futebolísticas da cidade na época, o América, vencedor do Campeonato da Cidade (hoje considerado Campeonato Mineiro) entre 1916 e 1920 (também venceu de 1921 a 1925) e o Athletico, que venceu o primeiro Campeonato da Cidade, em 1915, mas tinha tantos adeptos quanto o América.

Um grupo de descendentes de imigrantes italianos começa então a se organizar com o intuito de criar um time da colônia que fosse tão forte a ponto de bater de frente com América e Athletico. As primeiras reuniões aconteciam num local tipicamente comandado pelos imigrantes árabes, que eram ligados ao Athletico, que era a rua dos Caetés, esquina com rua Espírito Santo, no centro de BH, na chamada Casa Ranieri. As reuniões ganhavam força, as pessoas estavam se empolgando com a ideia. Até que em 2 de janeiro de 1921 numa casa localizada na Rua Tamóios, no centro de Belo Horizonte, entre as ruas Rio de Janeiro e São Paulo, no local chamado Societá Italiana di Mutuo Soccorso Dante Aligieri, posteriormente conhecida como Casa d’Itália, era oficialmente fundada a Società Sportiva Palestra Italia.

Réplica da camisa do Palestra Itália em 1921

A primeira partida do clube aconteceu 3 meses depois da fundação, no dia 3 de abril, naquele que era o maior estádio da cidade na época, o Estádio do Prado Mineiro, onde hoje se localiza o clube dos oficiais da Polícia Militar de Minas Gerais, no bairro do Prado. A partida foi contra um combinado da cidade de Nova Lima, com jogadores do Villa Nova e do Palmeiras de Nova Lima, e o Palestra já saiu vitorioso por 2 a 0. A segunda partida já foi contra o rival Athletico, naquele que hoje é considerado o principal clássico do estado de Minas Gerais. No dia 17 de abril, também no estádio do Prado Mineiro, o Palestra venceu o time alvinegro por uma sonora vitória por 3 a 0, um feito incrível para um clube que havia acabado de ser fundado enfrentando um clube 13 anos mais velho, bem estruturado para a época.

A primeira sede do Palestra era na Praça Sete, numa casa que foi demolida posteriormente para construção do prédio que também foi sede do Bemge. Os primeiros bailes e festas realizados ali já eram muito movimentados, fazendo tanto sucesso que rivalizavam com as festas organizadas pelos clubes da elite da cidade. No início da década de 1930 a sede foi transferida para o antigo Palacete Lunardi, novamente na rua dos Caetés. Já em meados da década de 1930, novamente a sede mudou de lugar, dessa vez para a rua Espírito Santo, 501, numa casa que também já foi demolida para a construção de um prédio que durante muitos anos foi a Caixa Econômica e hoje abriga a Secretaria Municipal de Políticas Sociais.

Primeiramente, o Palestra só tinha em seu elenco jogadores descendentes de italianos. Mas a equipe crescia tanto e tão rapidamente que já em 1925 foi excluída do estatuto do clube a norma que não permitia a participação de jogadores de outras nacionalidades. Também em 1925 houve a dissolução do antigo clube que contava com a presença de alguns jogadores italianos, o Yale. O clube não suportou a debandada de jogadores para o Palestra, o que agravou a crise e culminou no término da equipe. O campo do Yale ficava no bairro do Barro Preto, onde hoje é o Fórum Lafayette. No quarteirão ao lado, também na Avenida Augusto de Lima, em 1923 havia sido construído o primeiro estádio do Palestra. O estádio foi construído justamente pelos imigrantes italianos, que em sua maioria eram operários e outras pessoas envolvidas com construção civil.

O primeiro título oficial foi do Campeonato da Cidade de 1926, e em seguida veio já o tricampeonato em 1928, 1929 e 1930. Após esse tricampeonato o Palestra passa por um jejum de dez anos, voltando a conquistar o Campeonato somente em 1940. Nesse período de jejum, em 1936, surge um movimento dentro do clube, a Ala Renovadora, empenhada em retirar o nome Itália do clube, uma vez que este já não era exclusivo dos descendentes de imigrantes. Isso só foi acontecer em 30 de janeiro de 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, quando o governo brasileiro, alinhado com os países Aliados, promulga um Decreto-Lei que determina abolir todas as referências aos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Com isso, o Palestra Itália passa a ser chamado de Palestra Mineiro. Em 29 de setembro de 1942, numa decisão que não foi votada nem aprovada pelos membros do conselho do clube, houve a mudança do nome do clube para Ypiranga, tornando o clube de vez uma entidade totalmente brasileira. Embora tenha jogado uma partida sob o nome de Ypiranga, que por sinal foi uma derrota, na Federação o clube ainda era registrado com o nome de Palestra. A votação definitiva para o novo nome do clube ocorreu em 7 de outubro de 1942, quando sócios e dirigentes escolheram o nome de Cruzeiro Esporte Clube, em referência ao maior símbolo nacional, a constelação do Cruzeiro do Sul.

Evolução do escudo do Cruzeiro

A conquista do Brasil

Já com o novo nome, o Cruzeiro é novamente tricampeão do Campeonato da Cidade em 1943, 1944 e 1945. Acontece também a reforma do estádio do Barro Preto, que se torna oficialmente Estádio Juscelino Kubitschek, em homenagem ao governador do estado à época. A posição do campo é mudada, além de serem construídas novas arquibancadas. Porém, as despesas com a reforma e com a manutenção da equipe levam o Cruzeiro à sua primeira grande crise financeira. O clube teve de vender seus principais jogadores, tanto que no auge da crise, em 1952, teve de promover os juvenis e dispensar os profissionais, ficando com um status quase amador. Durante a crise, a solução encontrada foi viajar pelo interior do estado em troca de cachês. Ao mesmo tempo, as excursões serviam também para aumentar o número de torcedores pelo estado. Depois de 1945, o Cruzeiro só voltou a conquistar um título em 1956, quando a crise já começava a passar. Com a crise financeira sanada, o Cruzeiro conquista mais um tricampeonato, agora do Campeonato Mineiro, em 1959, 1960 e 1961. Ali começava a se formar a base da equipe que conquistaria o Brasil alguns anos depois.

Com a chegada de Felício Brandi à presidência do clube, a busca por jovens valores começou a ganhar força. Em 1963 chega Tostão. Em 1964, Piazza, Dirceu Lopes e Natal. Em 1966, Raul e Zé Carlos. Ali formava-se a base do time que se sagrou pentacampeão mineiro entre 1965 e 1969. Mas o maior feito daqueles jovens heróis aconteceu em 1966. Em 1965 foi inaugurado o Mineirão, até então o segundo maior estádio do mundo, atrás apenas do Maracanã. Isso deu um impulso muito grande para o futebol mineiro na época e foi fundamental para o desenvolvimento da promissora equipe do Cruzeiro. Com o título do Campeonato Mineiro de 1965, o Cruzeiro garantiu vaga para a Taça Brasil de 1966, que nada mais era que o Campeonato Brasileiro da época. A Taça Brasil reunia os campeões de todos os estados do Brasil, sendo o primeiro torneio tipicamente nacional do país, tanto que o campeão garantia vaga na Libertadores da América.

O Santos, de Coutinho, Pepe e Pelé, era o maior time do Brasil, e senão do mundo, na década de 1960. O clube paulista era o atual pentacampeão brasileiro (Taça Brasil entre 1960 e 1965), além de ser bicampeão da América e Mundial (1962 e 1963). No torneio de 1966, o Santos já entrou diretamente na fase semifinal. O Cruzeiro, por sua vez, primeiro teve de passar pelo campeão fluminense (campeonato do estado do Rio de Janeiro, excluindo-se os times do estado da Guanabara, que nada mais era que a cidade do Rio de Janeiro), o Americano de Campos. Foram duas goleadas para os garotos celestes, 4 a 0 no Rio e 6 a 1 no Mineirão. Nas quartas de final, o adversário foi outra equipe difícil, o campeão gaúcho, o Grêmio. O primeiro jogo foi um empate no Rio Grande do Sul, mas o Cruzeiro venceu apertado por 2 a 1 no Mineirão. Na semifinal, mais uma pedreira, o campeão carioca, o Fluminense. Mas os meninos não quiseram nem saber e passaram por cima do tricolor com mais duas vitórias, 1 a 0 e 3 a 1. Na final, o maior desafio: o Santos.

Na primeira partida, no Mineirão, talvez a derrota mais acachapante que Pelé tenha sofrido em toda sua carreira. No primeiro tempo de jogo, o Cruzeiro já vencia o melhor time do mundo por 5 a 0. No intervalo da partida, ninguém acreditava no que via, era um fato completamente inusitado. O Santos veio para o segundo tempo tentado a se recuperar, e marcou dois gols. Mas o Cruzeiro segurou o jogo e ainda marcou mais um, finalizando a partida em 6 a 2. Na segunda partida, dia 7 de dezembro de 1966 no Pacaembu, o Santos começou o jogo empenhado a se vingar da humilhante derrota sofrida uma semana antes. O primeiro tempo terminou 2 a 0 para a equipe paulista. No intervalo da partida, o presidente da Federação Paulista de Futebol na época foi ao vestiário cruzeirense se encontrar com o presidente Felício Brandi para já tentar marcar a terceira partida da decisão para o Maracanã. Mas Brandi viu aquilo como uma afronta e expulsou aos gritos o paulista, o que serviu como um incentivo a mais para os jogadores do Cruzeiro se recuperarem na partida. Logo no início do segundo tempo, pênalti para o Cruzeiro que Tostão desperdiçou. Parecia que realmente o Santos sairia vitorioso naquela noite. Mas logo em seguida o mesmo Tostão empatou a partida com um gol de falta. Aos 28 do segundo tempo, Dirceu Lopes empatou a partida, placar que já era o suficiente para o Cruzeiro se sagrar campeão. Mas ao invés de segurar o resultado, o Cruzeiro foi pra cima e aos 44 Natal fez o gol que decretou o título para a equipe azul. O Cruzeiro era campeão brasileiro de 1966, algo inédito para um clube do estado de Minas Gerais. Este título só foi reconhecido como Campeonato Brasileiro em dezembro de 2010.

Foto da Taça Brasil

Com o título, em 1967 o Cruzeiro fez a sua estreia em competições internacionais, com a participação na Taça Libertadores da América. Na primeira fase, saiu invicto de um grupo com Universitario e Sport Boys, do Peru, e Deportivo Galicia e Deportivo Italia, da Venezuela. Foram 7 vitórias e 1 empate, em 8 jogos. A classificação em primeiro no grupo valeu vaga na semifinal do torneio, caindo num grupo com as equipes uruguaias do Nacional e do Peñarol, que era o atual campeão continental. O Cruzeiro venceu as duas partidas no Mineirão, mas perdeu as duas em Montevidéu, ficando em segundo no grupo, um ponto atrás do Nacional, que foi à final e acabou sendo derrotado pelo Racing, da Argentina.

O título do Cruzeiro em 1966 provocou uma mudança nos rumos do futebol brasileiro, que passou a deixar de ser polarizado apenas entre Rio de Janeiro e São Paulo. Tanto que em 1967 acontece a primeira edição do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Robertão, que era o tradicional Torneio Rio-São Paulo, agora com participação de equipes de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia e Pernambuco. Os campeões deste torneio também passaram a ser conhecidos como campeões brasileiros desde dezembro de 2010. Dessa forma, o Cruzeiro foi vice-campeão brasileiro em 1969. Em 1970, o Cruzeiro cede três jogadores para a seleção brasileira campeã do mundo no México: Tostão, Piazza e Fontana.

No começo da década de 1970, a base do time da década de 1960 começa a mudar um pouco. Raul, Piazza e Dirceu Lopes permanecem, mas Tostão é vendido ao Vasco pouco tempo antes de encerrar prematuramente a carreira devido a um problema de visão. Mas chegam jogadores como Nelinho e Joãozinho. O Cruzeiro é vice-campeão brasileiro mais duas vezes: em 1974, numa polêmica decisão contra o Vasco, numa partida que era pra ser realizada no Mineirão mas acabou indo para o Maracanã, e que o Cruzeiro teve um gol legítimo anulado; e em 1975, numa partida dificílima contra o Internacional, em Porto Alegre. O vice-campeonato em 1975 valeu uma vaga para a Libertadores em 1976.

A conquista da América

Na Libertadores de 1976, o Cruzeiro novamente saiu invicto da fase de grupos, que contava também com o Inter de Porto Alegre, e os paraguaios Olimpia e Sportivo Luqueño. Foram 1 empate e 5 vitórias, incluindo a memorável partida em que o Cruzeiro venceu o Inter por 5 a 4 no Mineirão, considerada a melhor partida da história do estádio. Na fase semifinal, o Cruzeiro caiu no grupo de LDU Quito, do Equador e Alianza Lima, do Peru. Neste momento, uma das páginas mais tristes da história do Cruzeiro. Após o retorno da partida contra o Alianza, em Lima (vitória cruzeirense por 4 a 0), o atacante Roberto Batata voltava de carro de BH para sua cidade, quando sofreu um acidente fatal na BR-381. A partida seguinte na Libertadores, também foi contra o Alianza, dessa vez no Mineirão. Os jogadores prestaram então sua homenagem ao companheiro, goleando os peruanos por 7 a 1 (7 era a camisa usada por Batata). O Cruzeiro passou pela semifinal com 4 vitórias em 4 jogos.

A final então seria contra o River Plate, então campeão dos dois torneios nacionais da Argentina em 1975. Na primeira partida, no Mineirão, vitória azul por 4 a 1. Na segunda, em Buenos Aires, o River vence por 2 a 1, o que forçou uma terceira partida em campo neutro, uma vez que naquela época o saldo de gols não era critério de desempate. A terceira partida aconteceu então no estádio Nacional de Santiago, no Chile. O Cruzeiro chegou a abrir 2 a 0 com gols de Nelinho e Eduardo. Mas veio a catimba e a pressão argentina, e num lance que contou com a ajuda da arbitragem o River empatou a partida em 2 a 2. Porém, aos 43 do segundo tempo, falta para o Cruzeiro na entrada da área do River. Nelinho, que tinha um chute muito forte se preparava para cobrar a falta. Quando virou de costas, Joãozinho cobrou a falta no ângulo direito, sem chances para o goleiro argentino. O Cruzeiro fazia 3 a 2. Os argentinos reclamaram com a arbitragem mas de nada adiantou. O Cruzeiro era campeão da América. Era o primeiro clube brasileiro a ser campeão da Libertadores, depois do Santos, de Pelé.

O título da Libertadores deu ao clube a oportunidade de disputar a Taça Intercontinental, considerada campeonato mundial de clubes, contra o campeão europeu do ano, o Bayern de Munique, da Alemanha. O Bayern contava em grande parte com jogadores da seleção alemã, que havia conquistado a Copa do Mundo dois anos antes, em 1974, como Gerd Müller, Rumennigge e o goleiro Sepp Maier. O torneio era disputado em duas partidas, uma no estádio de cada clube. Na primeira partida, no Estádio Olímpico de Munique, com o gramado branco coberto de neve, o Cruzeiro perde por 2 a 0, sofrendo dois gols no final da partida. No segundo jogo, no Mineirão com mais de 100 mil pessoas, o Cruzeiro fez de tudo, mas Sepp Maier fez ainda mais, segurando a partida em 0 a 0 e dando o título mundial ao Bayern.

O título da Libertadores de 1976 também deu vaga para o Cruzeiro na Libertadores de 1977, dessa vez entrando já na fase semifinal, por ser o atual campeão. E novamente o Cruzeiro passou invicto, com 3 vitórias e 1 empate em 4 jogos, num grupo com o Inter de Porto Alegre e a Portuguesa, da Venezuela. Na final, outro clube argentino pelo caminho, agora o Boca Juniors. O Cruzeiro perde em La Bombonera por 1 a 0, mas devolve o placar no Mineirão, forçando novamente um terceiro jogo, que dessa vez aconteceu no estádio Centenário, em Montevidéu, no Uruguai. Montevidéu fica a cerca de 2 horas de Buenos Aires, o que levou uma multidão de torcedores do Boca para o jogo. A partida terminou 0 a 0 no tempo normal, o que evidenciou o equilíbrio entre os times. Nos pênaltis, as duas equipes acertaram as quatro primeiras cobranças. Na quinta, o Boca marcou mas Eduardo teve o pênalti defendido pelo goleiro argentino, e o Cruzeiro era vice-campeão da América pela primeira vez.

Réplica da Taça Libertadores de 1976

A derrota em 1977 decretou o início de um período negro na história do Cruzeiro. Uma nova grave crise financeira aparece,em função dos prejuízos com a disputa do campeonato mineiro, mas também em decorrência dos pesados investimentos na infra-estrutura do clube, com a construção da sede campestre, na Pampulha e da Toca da Raposa I, no início da década de 1980, ainda sob a tutela do presidente Felício Brandi. A Toca I era o melhor centro de treinamento do país e, inclusive, serviu como concentração da Seleção Brasileira, antes das Copas do Mundo de 1982 e 1986. Durante a década de 1980, o maior faturamento do Cruzeiro ocorria através da disputa de amistosos no exterior, principalmente países da África e Ásia. Depois do título do campeonato mineiro de 1977, o clube só voltaria a ganhar um título com o campeonato mineiro de 1984 e depois em 1987.

Multicampeão

Sob a administração da família Masci o Cruzeiro inaugurou a sede social do Barro Preto em 1985, onde era localizado o antigo estádio Juscelino Kubitschek, e também já funcionava a sede administrativa do clube em um prédio na Rua Guajajaras. E também marcou o início do ressurgimento do clube, com o vice-campeonato na Supercopa dos Campeões da Libertadores em 1988, perdendo para o Racing, da Argentina. Com o presidente César Masci, o Cruzeiro voltou a ter o respeito internacional, com as conquistas da Supercopa em 1991 e 1992. Em 1991, o rival foi novamente o River Plate, o mesmo de 1976. Após perder o primeiro jogo da decisão em Buenos Aires por 2 a 0, o Cruzeiro escreve mais uma página heróica em sua história vencendo a partida de volta no Mineirão por 3 a 0, com show de Charles, Boiadeiro e Mário Tilico. No ano seguinte, o rival foi outro argentino, agora o Racing. No primeiro jogo, no Mineirão, o Cruzeiro aplicou um sonoro 4 a 0, e mesmo perdendo a partida de volta em Avellaneda por 1 a 0, o Cruzeiro era bi-campeão da Supercopa.

Troféu da Supercopa, conquistada em 1991 e 1992

Já em 1993, o Cruzeiro vence a primeira das suas quatro Copas do Brasil. Na partida final, vitória sobre o Grêmio por 2 a 1 no Mineirão. Com o título, o Cruzeiro voltava a conquistar um título nacional após 27 anos. E no último ano da administração César Masci, o Cruzeiro contrata um promissor jogador do São Cristóvão do Rio de Janeiro, que viria a se tornar um fenômeno nos anos seguintes, Ronaldo. Ronaldo foi o artilheiro do Cruzeiro no Brasileiro de 1993 e ainda participou da campanha na Libertadores de 1994, participando inclusive da histórica vitória por 1 a 0 contra o Boca Juniors, em La Bombonera (foi a segunda derrota para um time brasileiro em casa na história do Boca; a primeira havia sido para o Santos, de Pelé, em 1963, e a terceira e última foi contra o Paysandu apenas em 2003).

Troféu da Copa do Brasil de 1993

Em 1995, Zezé Perrella chega à presidência do clube e, de cara, já conquista dois campeonatos oficiais, a Copa Ouro e a Copa Master. Em 1996, o Cruzeiro é novamente campeão da Copa do Brasil. Dessa vez, em outra partida memorável, contra o Palmeiras, no estádio Parque Antárctica (Palestra Itália), em São Paulo. O Palmeiras era considerado o melhor time do Brasil, na época. Tinha grandes jogadores como Rivaldo, Djalminha e Luizão. Na primeira partida, no Mineirão, empate em 1 a 1. No jogo de volta, o Palmeiras logo aos 5 minutos faz 1 a 0, com Luizão. Mas o Cruzeiro não se rendeu e conseguiu o empate ainda no primeiro tempo, após uma falha clamorosa de Amaral, que Roberto Gaúcho concluiu para o gol. A partir daí foi só pressão do Palmeiras. O goleiro Dida fez mais uma de suas exibições fantásticas e defendeu chutes praticamente impossíveis dos atacantes rivais. E num contra-ataque do Cruzeiro, aos 38 do segundo tempo, após uma bola cruzada, o goleiro Velloso solta a bola nos pés de Marcelo Ramos que marca o gol do título. O Cruzeiro era novamente campeão e foi recebido por mais de 100 mil pessoas nas ruas de Belo Horizonte.

Troféu da Copa do Brasil de 1996

A conquista da Copa do Brasil em 1996 leva o Cruzeiro novamente à Libertadores. Em 1997, o time azul cai num grupo com o Grêmio, campeão brasileiro do ano anterior, e os peruanos Alianza Lima e Sporting Cristal. Após três derrotas nos três primeiros jogos, o técnico Oscar Bernardi é demitido, sendo substituído por Paulo Autuori. Também chegam importantes contratações como o zagueiro Wilson Gottardo e o atacante Marcelo Ramos, que voltou após breve período no futebol holandês. O Cruzeiro consegue vencer os três jogos restantes no grupo e ainda classifica-se para a próxima fase como segundo no grupo. Nas oitavas de final, o Cruzeiro consegue a classificação contra o El Nacional, do Equador, nos pênaltis, com Dida fazendo duas defesas. Nas quartas de final novo embate com o Grêmio, e classificação no saldo de gols. Na semifinal o adversário foi o Colo-Colo, do Chile, e novamente Dida fez a diferença, defendendo mais dois pênaltis na casa do adversário. Na final, o adversário foi o mesmo Sporting Cristal da fase de grupos. O Cristal vinha com força pois havia eliminado forças argentinas como o Vélez Sársfield e o Racing. No primeiro jogo, empate em 0 a 0 em Lima. Na segunda partida, no Mineirão novamente com cerca de 100 mil pessoas, aos 30 do segundo tempo Elivélton acerta um chute de fora da área decretando o bi-campeonato da América para o Cruzeiro, isso sem se esquecer de mais inúmeras defesas difíceis feitas pelo goleiro Dida.

Réplica da Taça Libertadores de 1997

Apesar do título, peças importantes como o técnico Paulo Autuori e o meio-campo Palhinha saíram do time. E para a disputa do mundial, contra os campeões europeus, os alemães do Borussia Dortmund, o Cruzeiro fez a contratação temporária dos jogadores Bebeto, Gonçalves e Donizete “Pantera”, somente para a disputa do jogo. No dia 2 de dezembro de 1997, no Estádio Nacional de Tóquio, no Japão, nem mesmo o goleiro Dida conseguiu segurar os alemães e o Cruzeiro saiu derrotado por 2 a 0, e novamente foi vice-campeão mundial.

Em 1998, o Cruzeiro após uma campanha média durante o Campeonato Brasileiro, se classificou para a fase final na 7ª colocação. Mas ao eliminar Palmeiras e Portuguesa, conseguiu a vaga na final contra o Corinthians. O clube chegou a fazer 2 a 0 na primeira partida, no Mineirão, mas permitiu o empate com uma exibição única do atacante Dinei. No segundo jogo, em São Paulo, novo empate, dessa vez por 1 a 1. E na terceira partida, o Cruzeiro fez o que pode, mas acabou derrotado por 2 a 0, na despedida do goleiro Dida, sendo vice-campeão brasileiro pela quarta vez. Ainda em 1998, o Cruzeiro já havia sido tricampeão mineiro (1996, 1997 e 1998). Na campanha do tricampeonato, destaque para a final do campeonato de 1997, quando na partida final contra o Villa Nova, foi registrado o maior público da história do Mineirão, com 132 mil pessoas. No ano de 1998 o Cruzeiro conseguiu também dois vice-campeonatos perdendo para o Palmeiras a final da Copa do Brasil e da Copa Mercosul.

Em 1999, as Copas regionais ganham importância no futebol brasileiro, e o Cruzeiro acaba vencendo a Copa Centro-Oeste. O clube ainda venceria a Copa Sul Minas em 2001, ao vencer o Coritiba, e 2002, contra o Atlético Paranaense, na primeira despedida do ídolo argentino Juan Pablo Sorín, que ainda marcou o gol do título. Ainda em 1999, o Cruzeiro conquistou a Copa dos Campeões Mineiros, com uma goleada de 5 a 1 sobre o Atlético, maior vitória sobre o rival citadino até então.

No ano de 2000, o Cruzeiro conquista sua terceira Copa do Brasil, na memorável decisão contra o São Paulo. Na primeira partida, no Morumbi, empate em 0 a 0. Na segunda partida, qualquer empate com gols daria o título ao tricolor paulista. A situação ficou ruim para o Cruzeiro quando já no segundo tempo Marcelinho Paraíba abriu o placar para o time paulista aos 20 minutos. Aos 35 do segundo tempo, o atacante Fábio Júnior consegue o empate, após passe de Müller. E aos 45 do segundo tempo, num contra ataque, Geovanni partia sozinho contra o goleiro Rogério Ceni, quando foi derrubado próximo à área pelo zagueiro Rogério Pinheiro, que foi expulso. Na cobrança, Müller insistiu com Geovanni para que batesse a falta com um chute forte em cima da barreira. Com uma “ajudinha” dos jogadores do Cruzeiro, a barreira se abriu e o chute de Geovanni foi morrer no fundo das redes, uma das viradas mais sensacionais já vistas na história do Mineirão e do futebol brasileiro. Na saída de bola, o São Paulo foi para o ataque e o goleiro André ainda fez uma defesa milagrosa, relembrando Dida e assegurando o título para o Cruzeiro.

Troféu da Copa do Brasil de 2000

No ano de 2003, o irmão de Zezé, Alvimar Perrella, assume a presidência do Cruzeiro. No mesmo ano, o Cruzeiro inaugura mais duas obras monumentais: a Sede Administrativa, localizada na rua Timbiras, no bairro do Barro Preto, e a Toca da Raposa II, que dessa vez era um dos melhores centros de treinamento do mundo. Mas o ano de 2003 ficaria marcado mesmo pelas conquistas do time dentro de campo. Com Vanderlei Luxemburgo como técnico, o craque Alex comandando o time, e outros jogadores como Luisão, Cris, Deivid, Aristizábal, Maurinho, Leandro e Gomes, o Cruzeiro venceu o campeonato mineiro de forma invicta. Na Copa do Brasil, o quarto título, também invicto, derrotando o Flamengo na final, incluindo aí um gol de letra de Alex no Maracanã, e uma vitória marcante por 3 a 1 no jogo decisivo no Mineirão. Já no campeonato brasileiro, o primeiro da história disputado por pontos corridos, o Cruzeiro conseguiu o título com duas rodadas de antecedência, ao vencer o Paysandu por 2 a 1 no Mineirão, tornando-se campeão brasileiro novamente após 37 anos. Na campanha várias partidas merecem destaque, como as duas vitórias sobre o vice-campeão Santos, a vitória sobre o São Paulo no Morumbi, a vitória no clássico sobre o Atlético, o jogo da entrega da taça, 5 a 2 contra o Fluminense no Mineirão, e a goleada história de 7 a 0 contra o Bahia na última partida do campeonato. O Cruzeiro fez 100 pontos, marca que dificilmente será atingida novamente na história do campeonato, e marcou 102 gols durante o torneio.

Troféu da Copa do Brasil de 2003

Troféu do Campeonato Brasileiro de 2003

Após desentendimentos com a diretoria, Luxemburgo saiu do clube em 2004, mas mesmo assim o Cruzeiro conseguiu o tricampeonato mineiro (Supercampeonato de 2002, 2003 e 2004), fechando uma série de 15 anos conquistando um título por ano, algo somente conseguido na história do futebol mundial por equipes como Manchester United e Real Madrid. Desde então, o clube conquistou o campeonato mineiro em 2006, 2008 e 2009, sendo que nas duas últimas conquistas goleou o rival Atlético na primeira partida da final por 5 a 0, maior goleada contra o time alvinegro na história do confronto.

O 5º lugar no Campeonato Brasileiro de 2007 valeu para o Cruzeiro vaga na Libertadores de 2008. No torneio, o Cruzeiro avançou apenas até as oitavas de final, quando foi derrotado pelo Boca Juniors. No Brasileiro de 2008 o título chegou perto, ficando com o 3º lugar e novamente ganhando vaga para a Libertadores do ano seguinte. Em 2009, caiu num grupo com Estudiantes, da Argentina, Deportivo Quito, do Equador e Universitario de Sucre, da Bolívia. O Cruzeiro classificou-se em primeiro no grupo com apenas uma derrota e nas oitavas de final enfrentou o Universidad de Chile, vencendo as duas partidas. Nas quartas de final enfrentou o São Paulo, e novamente o Cruzeiro venceu as duas partidas. Na semifinal, foi a vez de desclassificar o Grêmio, com vitória no Mineirão e empate em Porto Alegre. Na final, novamente o Estudiantes de La Plata. Assim como em 1997, o Cruzeiro enfrentava na final um adversário da fase de grupos. Assim como em 1997, o Cruzeiro havia desclassificado o Grêmio. Assim como em 1997, o primeiro jogo da final, fora de casa, terminou em 0 a 0. Assim como em 1997, o Cruzeiro abriu o placar no jogo decisivo com um gol de fora da área já no segundo tempo. Mas de nada valeram superstições e estatísticas para o time argentino, que conseguiu a virada e impôs ao Cruzeiro a pior derrota de sua história. O Cruzeiro era vice-campeão da América pela segunda vez. Mas o time conseguiu se reerguer e com uma série de vitórias, deixou a zona de rebaixamento e terminou o Campeonato Brasileiro de 2009 em 4º lugar, novamente ganhando vaga na Libertadores.

Troféu original da Libertadores, em exibição no Mineirão durante a final de 2009

No ano de 2010, o clube parou nas quartas de final da Libertadores, sendo desclassificado pelo São Paulo. Mas isso permitiu ao time uma nova reação. Após a parada para a Copa do Mundo, em junho, o time emendou uma série de vitórias que o aproximou dos líderes Corinthians e Fluminense. Já no segundo turno, ao vencer o Fluminense em Uberlândia (o Mineirão está fechado para reformas para a Copa do Mundo de 2014) por 1 a 0, o Cruzeiro se manteve na liderança por duas rodadas. Até a última rodada, Cruzeiro, Corinthians e Fluminense ficaram bem próximos em numeração, chegando os três com uma diferença  de 1 ponto para cada: Fluminense em 1º, Corinthians em 2º e Cruzeiro em 3º. O Cruzeiro precisava vencer o Palmeiras em Sete Lagoas e torcer por empates dos rivais. O time celeste fez sua parte, ao vencer o Palmeiras de virada, com um gol no último minuto de jogo. Mas, o Fluminense que dependia apenas de si para ser campeão, venceu apertado o Guarani por 1 a 0 e sagrou-se campeão brasileiro. O Corinthians empatou com o Goiás em Goiânia por 1 a 1, e assim o Cruzeiro conseguiu o vice-campeonato brasileiro, o quinto de sua história.

Logotipo oficial dos 90 anos do Cruzeiro

Em 2011 o Cruzeiro chega aos 90 anos de história, na tentativa de conquistar dois tricampeonatos: da Libertadores e do Campeonato Brasileiro, e alcançar também o único título de expressão que falta em sua imensa galeria de troféus: a Copa do Mundo de Clubes, que neste ano volta a ser disputada no Japão. O Cruzeiro completa 90 anos de uma história grandiosa, construída pelos inúmeros títulos conquistados dentro de campo, pela paixão dos mais de oito milhões de torcedores e pela importância que tem no futebol brasileiro e sul-americano. Em 2011, mais páginas heróicas imortais serão escritas.

Fontes adicionais: Site oficial do Cruzeiro, Cruzeiro.org, página do Cruzeiro na Wikipédia.


Estádio da Semana: Alameda

28/01/2010

Inaugurado em 27 de maio de 1948, o Estádio Otacílio Negrão de Lima era pertencente ao América Futebol Clube, de Belo Horizonte.

O América, fundado em 1912, inicialmente mandava seus jogos num campo num terreno na Avenida Augusto de Lima, próximo à Praça Raul Soares. No final da década de 1920, mais precisamente em 1929, a prefeitura de Belo Horizonte, com o então prefeito Cristiano Machado, comprou aquele terreno pertencente ao clube, para a instalação do Mercado Municipal de BH, que hoje é o Mercado Central.

Por alguns anos, o América disputava seus jogos no mesmo estádio que os outros grandes clubes da cidade, Palestra Itália e Athlético Mineiro, o estádio do Prado Mineiro, onde hoje é a sede do Batalhão da Polícia Militar de Minas Gerais, na Rua Platina, no bairro do Prado. O Atlético, porém, construiu seu estádio no próprio ano de 1929, o estádio Antônio Carlos, no bairro de Lourdes. O Palestra, por sua vez, concluiu as obras do seu estádio Juscelino Kubitschek em 1945, no bairro do Barro Preto. Ainda assim, o estádio do Prado era o maior da cidade.

Com os dois rivais com o seu próprio estádio, o dinheiro da venda do terreno antigo e já com o título de decacampeão mineiro entre 1916 e 1925, o América compra então um terreno na Avenida Francisco Sales, no bairro de Santa Efigênia. E neste local constrói o estádio Otacílio Negrão de Lima. Com o passar do tempo, o estádio ficou conhecido como Estádio da Alameda, por também ter entrada pela Alameda Álvaro Celso.

O estádio foi inaugurado em 27 de maio de 1948, com a realização de uma festividade solene de apresentação do Torneio Quadrangular de Belo Horizonte, cujos jogos aconteceram nos dias seguintes. O estádio recebeu o nome do então prefeito de Belo Horizonte, Otacílio Negrão de Lima (prefeito de BH entre 1935 e 1938 e entre 1947 e 1951), que tinha grande influência e participação dentro do clube. Participaram do torneio, além do América, o Vasco (atual campeão carioca e do primeiro Sul-Americano de Clubes, em 1948 mesmo, e com a base da Seleção Brasileira que jogaria a Copa de 1950), o São Paulo (campeão paulista) e o Atlético Mineiro (campeão do Campeonato da Cidade de 1947 – antecessor do campeonato mineiro). O América sagrou-se campeão do torneio, vencendo o Vasco por 4 a 2, e empatando com os outros dois rivais. Ainda em 1948, o América sagrou-se campeão do Campeonato da Cidade (Campeonato Mineiro), porém só voltaria a conquistá-lo nove anos depois, em 1957.

À época de sua inauguração, o Estádio da Alameda era considerado o terceiro melhor do país, perdendo para o Pacaembu, em São Paulo, e São Januário, no Rio de Janeiro. A capacidade do estádio era de 15.000 pessoas. Na inauguração, o público foi de 12.500 pessoas, sendo 10.652 pagantes, o que proporcionou a maior renda do futebol mineiro até então: 300 mil cruzeiros. Com toda pompa, a Alameda tomou do Prado o título de principal estádio da cidade de Belo Horizonte.

Isso durou apenas dois anos, afinal, já em 1950, foi inaugurado o estádio Raimundo Sampaio, o Independência, construído para abrigar jogos da Copa do Mundo do mesmo ano. Nessa época, o Independência era pertencente ao Governo de Minas Gerais. Depois de 1948, o América só voltaria a ser campeão mineiro em 1957, já no Independência. Assim, o estádio da Alameda ia perdendo aos poucos sua importância.

Com a inauguração do Mineirão, em 1965, o Independência passou a ser posse do Sete de Setembro FC. O próximo título estadual do América só viria em 1971, já no “Gigante da Pampulha”. Ainda na década de 1960, o América entra numa grave crise financeira. Para de investir nas divisões de base e perde grandes talentos, como Tostão e Hílton Oliveira, para o Cruzeiro, que nessa época monta um dos melhores times da história do futebol brasileiro. O América, que já havia sido o maior clube de BH, agora era a terceira força da cidade, perdendo em número de torcedores e também financeiramente.

A crise durante a década de 1960 resultou na venda do terreno do estádio da Alameda em 1973, durante a gestão do presidente Ruy da Costa Val. O América estava ameaçado de ser fechado, tão grave a crise financeira. O déficit era maior a cada mês, sendo que funcionários e jogadores já não recebiam seus salários. Nem empréstimos o América podia receber. Em entrevista na época, o presidente relatou que metade do estádio também já não pertencia ao clube, pois fora desapropriada pela Prefeitura. E era justamente a metade mais valiosa do estádio, a que dava de frente para a Avenida Francisco Sales. Com o passar dos anos, entre 1948 e 1973, várias partes do estádio já haviam avançado a terrenos de outras pessoas, próximas ao local, sendo necessária a ajuda do governo estadual para o América conseguir as escrituras necessárias. Os dirigentes da época lutavam para recuperar a parte que havia sido perdida do estádio.
O estádio em si já era defasado, uma vez que por suas pequenas dimensões (menos de 100 metros) não servia para os treinos do América, sequer para jogos. Abaixo das arquibancadas era mantida toda a infraestrutura do clube: escritórios para os dirigentes e vestiáros, dormitórios e refeitórios para os atletas.

Através de um decreto do então governador do estado de Minas Gerais, Rondon Pacheco, o América pode vender o terreno do estádio da Alameda para o Grupo Pão de Açúcar. No local, foi construído o primeiro hipermercado da cidade, o Jumbo (posteriormente se tornaria Jumbo Eletro, e na década de 1990 viraria o Extra Hipermercados, ainda hoje do Grupo Pão de Açúcar).

Com o dinheiro recebido com a venda do estádio da Alameda, o América construiu sua nova sede social, com mais de 20 mil metros quadrados, no bairro Ouro Preto, além de quitar todas as suas dívidas.

Fontes: Diafragma, Templos do Futebol, Wikipédia e Superesportes.


Cruzeiro 89 anos

02/01/2010

Há exatos 89 anos, em 2 de janeiro de 1921, uma reunião num prédio na Rua dos Caetés, no centro de Belo Horizonte, com cerca de cem desportistas de origem italiana fundava a Societá Sportiva Palestra Itália. Era o início daquele que se tornaria um dos nove principais clubes de futebol do Brasil, reconhecido internacionalmente, o Cruzeiro Esporte Clube. A ideia havia surgido em 1916, quando foi formado um combinado de jogadores de origem italiana em Belo Horizonte para a disputa de amistosos. Muitos dos jogadores eram vinculados ao Yale Athletic Club, o primeiro clube com jogadores ítalo-brasileiros na capital mineira. Daí a confusão ao dizer que o Yale deu origem ao Palestra. 13 jogadores saídos do Yale formaram o primeiro plantel do Palestra em 1921, que também contou com jogadores vindos do Atlético, Guarany e Ipanema. Os jogadores do Palestra eram em sua maioria também operários, moradores das regiões externas à Avenida do Contorno, na época o subúrbio da cidade. O primeiro estatuto do clube foi solicitado por correio ao Palestra de São Paulo, atual Palmeiras, e aprovado por unanimidade, excluindo-se apenas o item que exigia participação exclusiva do pessoas com origem italiana, o que fez o Palestra mineiro aumentar sua popularidade rapidamente.

A primeira partida do clube aconteceu em 3 de abril de 1921, contra um combinado entre o Villa Nova e o Palmeiras, ambos de Nova Lima. A partida no estádio do Prado Mineiro (atual sede do Batalhão da Polícia Militar de MG, no bairro Prado) terminou 2 a 0 para os palestrinos. Duas semanas depois, em 17 de abril, o primeiro clássico contra o Atlético. Nova vitória do Palestra, dessa vez por 3 a 0, também no estádio do Prado. O primeiro título veio em 1927, mas era referente ao Campeonato da Cidade de 1926, após a vitória de 10 a 1 sobre o Grêmio, de Belo Horizonte.

Em agosto de 1942 um decreto federal exigiu a extinção de todos aqueles itens que faziam referência aos países inimigos do Brasil na Segunda Guerra Mundial, entre eles a Itália. Dessa forma, em 2 de outubro, foi anunciado que o Palestra mineiro passaria a se chamar Ypiranga, em homenagem à independência do Brasil. Em 4 de outubro o clube disputou uma partida contra o Atlético, perdendo por 2 a 1, mas com o nome oficial ainda Palestra Itália. Na assembleia do dia 7 de outubro, foi sugerido o nome de Cruzeiro Esporte Clube e a adoção das cores azul e branco.

O Cruzeiro crescia rapidamente e aos poucos deixava de ser a terceira força do futebol mineiro para se tornar a primeira. A década de 1960 foi um marco na história do Cruzeiro e representou uma época de grandes feitos e conquistas de um time, que recebeu o nome de academia. A equipe de  Raul, Zé Carlos, Piazza, Natal, Tostão entre outros, conquistou o Brasil com duas vitórias sobre o Santos. Na decisão, duas vitórias memoráveis sobre o time de Pelé – 6 x 2, em 30 de novembro, no Mineirão, e 3 x 2, no dia 7 de dezembro, no Pacaembu.

Já na década de 1970, a segunda academia do Cruzeiro ficou marcada pelo título da Copa Libertadores. O adversário da final foi o River Plate, da Argentina. No primeiro confronto, em 21 de julho, o Cruzeiro aplicou 4 x 1, em Belo Horizonte. No segundo, no dia 28 do mesmo mês, perdeu de 2 x 1, em Buenos Aires. Mas dois dias depois, no tira-teima decisivo, em Santiago, no Chile, a equipe estrelada ganhou por 3 x 2 e levantou o troféu da competição.

Após um período difícil na década de 1980, sem grandes conquistas, a torcida azul voltou a sorrir em 1991, quando time celeste venceu a Supercopa, novamente levando a melhor sobre o River Plate. No ano seguinte, o torneio ficou mais uma vez nas mãos cruzeirenses, batendo outro clube argentino, o Racing.

Em 1997, veio o bicampeonato da Copa Libertadores. Na partida de ida da decisão, houve empate sem gols com o Spoting Cristal, do Peru, em 6 de agosto. Dali sete dias, no Mineirão, o Cruzeiro bateu o adversário por 1 x 0, dando início a mais uma belíssima festa da china azul.

O time estrelado tornou-se o maior vencedor da Copa do Brasil. Ao lado do Grêmio, detêm quatro conquistas da competição, vencendo as edições de 1993, 1996, 2000 e 2003. Neste último ano, inclusive, a equipe mineira conseguiu ainda os campeonatos Mineiro e Brasileiro, ganhando a denominação de campeão da Tríplice Coroa.

Para 2010, o Cruzeiro buscará o tricampeonato da Copa Santander Libertadores, um feito que quase conseguiu no ano passado. Para isso, o Clube aposta na manutenção da base e no terceiro ano seguido do técnico Adilson Batista à frente do bicampeão Mineiro.

Cruzeiro

Fontes: site oficial do Cruzeiro e Almanaque do Cruzeiro


Rio Branco de Andradas fora do Mineiro 2010

12/11/2009

Rio Branco de AndradasTradicional clube do sul de Minas, o Rio Branco de Andradas anunciou o fim do seu departamento de futebol. O principal motivo para este acontecimento foi as enormes despesas que o clube alegava ter com a reforma e manutenção do estádio municipal Juscelino Kubitschek (conhecido como Parque do Azulão), que era pertencente à prefeitura, mas que encontrava-se sobre regime de comodato para o Rio Branco (assim como o Independência está para o América, em Belo Horizonte). O estádio tem a capacidade de 5.000 pessoas e por isso, não pôde realizar a partida da semifinal entre Rio Branco e Atlético, no campeonato mineiro deste ano (as duas partidas foram realizadas no Mineirão). Na semana passada o Rio Branco devolveu o estádio à prefeitura, assim como também finalizou sua parceria com a Icasa (Indústria Cerâmica Andradense), que patrocinava o time há 22 anos.

O Rio Branco participou 18 vezes do Campeonato Mineiro da primeira divisão (o que é conhecido atualmente como Módulo I): de 1987 a 1993, 1995, 1996, de 1999 a 2004 e de 2007 a 2009. Venceu a segunda divisão (o módulo II) em 1998 e 2006. O Azulão da Mantiqueira também ganhou o título simbólico de “Campeão Mineiro do Interior” em 1990, 1992 e 2009.

Houve a possibilidade de a “franquia” Rio Branco se mudar para a cidade de Montes Claros nesse período, com o clube se chamando Rio Branco-Funorte, mas a ideia não foi colocada em prática. A diretoria pretende voltar com o futebol daqui a três anos e nesse período, encontrar parceiros para construir um estádio próprio (que também se chamará Parque do Azulão). Sendo assim, quando voltar, o clube terá que disputar a Segunda Divisão (que na verdade é a terceira).

América de Teófilo OtoniSem o Rio Branco, a FMF se reuniu extraordinariamente com os clubes do módulo I para definir quem ocuparia a vaga do Azulão. Somente os rivais da Caldense se opuseram à participação de um novo clube, sendo o campeonato seria disputado por apenas 11 equipes. Mas os outros 10 clubes apoiaram a decisão de que o terceiro colocado do módulo II de 2009 subisse para a primeirona. Dessa forma, o América de Teófilo Otoni fará sua estreia na elite do futebol do estado. O América teve uma ascenção meteórica: em 2008 estava na terceira divisão, terminando em segundo lugar; em 2009 já disputou a segunda divisão, ficando na terceira colocação; e ano que vem, como já foi dito, disputará a primeira divisão. O América será também o primeiro clube da cidade de Teófilo Otoni a disputar a primeira divisão. Vale lembrar que o atacante Fred (ex- Cruzeiro e Lyon, atualmente no Fluminense) é natural do município, embora tenha começado a carreira em outro América, o de Belo Horizonte.


Sete de Setembro e Raimundo Sampaio

10/10/2009

No Jornal Nossa História dessa semana, que circula no bairro Sagrada Família, em Belo Horizonte, saiu uma reportagem sobre Raimundo Sampaio, ex-dirigente do extinto Sete de Setembro Futebol Clube e que dá nome ao estádio Independência, atualmente em posse do América. Achei conveniente compartilhar essa história com aqueles amantes do futebol antigo.

Sete de Setembro FCO “Sete de Setembro” foi fundado no dia 07 de setembro de 1913 e se estivesse em atividade estaria completando 96 anos. Em 1944, passou a se chamar Sete de Setembro Futebol e Regatas, quando foi criada a Federação Mineira de Remo. Em setembro de 1948, voltou, a atender por Sete de Setembro Futebol Clube.

Seus primeiros jogos aconteceram no campo da Chácara Negrão, na rua Itajubá e depois passou a jogar no Independência, estádio construído para a Copa do Mundo de 1950.

Clube de muitas glórias e de grandes craques, o Sete foi vice-campeão da Cidade em 1919 e 1920. Conquistou o Torneio Início de 1922 e o Torneio Coronel Oscar Paschoal em 1956. 

Participou 17 vezes do Campeonato da Cidade de 1915 a 1932, quando o futebol era amador e 24 vezes da era profissional, de 1933 a 1957. Disputou 10 campeonatos mineiros nos anos 1958, 59, 60, 61, 69, 70, 71, 74, 75 e 1976, ano que encerrou suas atividades na 1ª divisão do futebol mineiro e em 1989, com a extinção do clube, o América arrendou o Estádio Independência, mantendo-o sob sua administração.

Raimundo Sampaio

Mas, quando nós lembramos do saudoso Sete de Setembro Futebol Clube, somos obrigados a mencionar o folclórico Presidente vitalício do Sete, o Sr. Raimundo Sampaio, um personagem que, realmente fez e continua fazendo parte da história do futebol mineiro: A lembrança de Sampaio ainda continua guardada na memória de muitas pessoas do esporte e, uma das inúmeras lembranças que o Sete guarda na sua história, foi a festa dos seus 35 anos de vida que aconteceu no ano de 1948. Neste dia o Sete de Setembro enfrentou o Ypiranga, vice-líder do campeonato de São Paulo, onde o Sete venceu o jogo por 3 a 1, com gols de Rui e dois de Esmerindo. Na ocasião o time do Sete, dirigido pelo técnico Américo Tunes, jogou com Randolfo; Corsino e Oldak; Pradinho, Tilim e Mazinho; Esmerindo, Ferreira, Rui, Nelsinho e Caldeirão. Nesta partida teve uma atração a parte para o torcedor, foi o árbitro inglês Mr. Dewine que ostentava um uniforme de legítimo tecido de casimira inglês, cor de cáqui, mais parecido com a farda do Exército australiano do que com uniforme de juiz de futebol. De calção e meias até o joelho, o árbitro pequeno e esperto arrancou dos torcedores aplausos pelo seu uniforme e também quando correndo, fazia a sua famosa diagonal.

A ligação de Raimundo Sampaio com o Sete de Setembro foi muito forte e muito bonita. Ele foi o símbolo maior do clube, uma pessoa que dedicou seu tempo inteiramente a este saudoso clube que era o cartão postal da região. Praticamente, todos os jovens atletas que conviveram com o Sete de Setembro tiveram a oportunidade de fazer parte deste clube jogando em suas categorias de base e posteriormente aceitando o Sete como o segundo time do coração. Sampaio já chegou a dizer que o Sete era mais importante na vida dele que a sua própria família. Sua vida se confundiu a história do clube a ponto do Sete ser uma espécie de sua casa própria.

Sampaio comandou o clube de forma rígida, a sua administração ficou conhecida como mão firme, o que lhe deu o título de severo e rabugento. Mas, até seus próprios adversários políticos reconheciam sua dedicação extraordinária ao clube.

Raimundo Sampaio para aqueles que não sabem, foi árbitro de futebol nas décadas de 30 e 40 e jogador de futebol. Dizem que ele foi um grande lateral direito nos anos 20, conhecido como Mundico e o nome Raimundo Sampaio que foi dado ao Estádio Independência é uma homenagem a este que foi um grande incentivador do futebol e esporte de modo geral em Minas Gerais. Quando nos lembramos de Raimundo Sampaio, temos que falar também sobre o Estádio Independência, que foi o maior palco do futebol mineiro durante 15 anos até a era Mineirão, inaugurado em 1965.

Com a construção do Estádio Magalhães Pinto, o Independência caiu em um injusto esquecimento. Os torcedores e clubes não ligavam mais para o velho alçapão do Horto e para a sobrevivência do Sete de Setembro Futebol Clube, que já não tinha as rendas dos jogos do aluguel do estádio, passou a alugá-lo para outros clubes da capital para realizar treinamentos. Mas, depois da construção da Vila Olímpica, Vale Verde e Toca da Raposa essa prática foi interrompida. O resultado foi o estado de abandono em que o estádio ficou por vários anos. Porém este quadro mudou em 1986 com a reforma do Independência no governo Hélio Garcia que passou para o América tomar conta.

Equipes amadoras participavam de torneios promovidos pelo Sete

O Sete de Setembro na sua existência proporcionou aos moradores do entorno do Estádio Independência um lazer agradável que com certeza está guardado na memória de muitos. Além da quadra esportiva, da piscina, das peladas atrás das traves (gols), dos torneios envolvendo times amadores da região, do desfile da primavera do qual participavam escolas públicas, municipais e particulares, dos bailes na sede social e dos jogos das categorias de base e profissional do Sete, fizeram da época momentos felizes que o América, com a nova reforma do Independência, poderia resgatar numa forma de interagir com a comunidade e ao mesmo tempo conquistar novos torcedores. Raimundo Sampaio morreu dois dias depois de completar oitenta anos. Ele foi sepultado no Cemitério do Bonfim e a bandeira vermelha e branca do seu clube acompanhou o caixão. No seu velório inúmeras personalidades do esporte estiveram presentes. Sampaio morreu por causa de um derrame sofrido em 03 de julho e seu estado de saúde complicou, vindo a falecer em 23 de agosto de 1984.

Hoje o Independência tem o nome do saudoso Raimundo Sampaio e está prestes a ser reformado novamente. Aqueles que conviveram com o Sampaio e torceram muito pelo Sete de Setembro, gostariam que dentro do novo estádio fosse feito um memorial. Seria uma forma justa de homenagear a bonita e difícil história de um clube que no passado foi muito respeitado.