Estádio da semana: Fonte Nova

31/08/2010

Fonte Nova recentemente

Ontem, dia 29 de agosto, foi um dia marcante para o futebol brasileiro, mas especialmente para o futebol baiano. Foi demolido um dos maiores e mais importantes estádios do país: o estádio Octávio Mangabeira, comumente conhecido como Fonte Nova, em Salvador. Pertencente ao Governo do estado da Bahia, o estádio foi demolido para sediar a construção de uma arena totalmente nova, que abrigará partidas da Copa do Mundo de 2014.

O estádio da Fonte Nova foi inaugurado em 28 de janeiro de 1951, com uma partida entre o Botafogo de Salvador (sem futebol profissional desde 1990) e o Guarany, também de Salvador (extinto). O Botafogo venceu por 1 a 0, gol de Antônio. O nome do estádio foi uma homenagem ao então governador do estado da Bahia, Otávio Mangabeira, cujo mandato de quatro anos terminou apenas 3 dias depois da inauguração do estádio.

Fonte Nova à época de sua inauguração

O recorde de público do estádio foi na semifinal do Campeonato Brasileiro de 1988, quando 110 mil pessoas assistiram a partida em que o Bahia venceu o Fluminense por 2 a 1, classificando-se para a final do torneio. O Bahia acabou sagrando-se campeão brasileiro naquele ano.

A Fonte Nova sediou partidas de duas finais de Campeonato Brasileiro, embora nenhuma delas tenha sido o jogo decisivo. Ainda em 1988, o Bahia venceu a primeira partida contra o Internacional por 2 a 1, e depois empatou em Porto Alegre por 0 a 0, garantindo o título. Já em 1993, o Vitória perdeu a primeira partida da decisão na Fonte Nova por 1 a 0 para o Palmeiras, além de perder também o segundo jogo, em São Paulo, por 2 a 0.

Fonte Nova na década de 1980

A Fonte Nova também sediou a segunda partida das finais da Taça Brasil de 1959, quando o Santos, de Pelé, venceu o Bahia por 2 a 0. No primeiro jogo, na Vila Belmiro, o Bahia havia vencido os donos da casa por 3 a 2. Na terceira e derradeira partida, no Maracanã, no Rio de Janeiro, o tricolor baiano voltou a vencer, dessa vez por 3 a 1, sagrando-se o primeiro campeão nacional do futebol brasileiro, sendo o primeiro representante do país na Taça Libertadores da América em sua primeira edição, em 1960.

Pela principal competição do continente, na edição de 1960, ocorreu na Fonte Nova a partida entre Bahia e San Lorenzo, da Argentina, com vitória dos brasileiros por 3 a 2. Mas o Bahia foi eliminado pois na primeira partida, em Buenos Aires, havia perdido por 3 a 0. Já pela Libertadores de 1989, a Fonte Nova sediou mais 5 jogos do Bahia, sendo 4 vitórias e 1 empate. O tricolor foi eliminado pelo Internacional nas quartas de final.

Projeto de recontrução da Fonte Nova

O estádio estava fechado desde 26 de novembro de 2007, quando aos 43 minutos do segundo tempo da partida entre Bahia e Vila Nova de Goiás, válida pela terceira divisão do Campeonato Brasileiro, uma parte da arquibancada cedeu, matando na hora sete torcedores. Nessa mesma partida, o Bahia conseguiu o acesso para retornar à segunda divisão do Campeonato Brasileiro.

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Obras no Estádio Independência

25/07/2010

Com o Mineirão em obras até 2013 para a Copa do Mundo, caberá ao Estádio Raimundo Sampaio, comumente conhecido com Independência, sediar os jogos dos clubes de Belo Horizonte entre 2011 e 2013. Porém, para suportar tamanha demanda, o estádio também necessita de uma profunda reforma. Esta reforma vem ocorrendo desde janeiro de 2010, e a previsão inicial era para o estádio estar pronto já em setembro do mesmo ano. Posteriormente, o prazo foi modificado para outubro. Agora, os responsáveis já falam em março de 2011 como data para a entrega da obra.

O projeto original da reforma sofreu algumas modificações, principalmente no que diz respeito ao prédio que abrigaria, além de um centro de convenções, estacionamento para 800 vagas, salas de antidoping, vestiários e auditórios. Agora foi adotado um modelo mais simples, apenas com a infraestrutura básica para a realização das partidas. Outra mudança que encareceu o projeto foi em relação às fundações e contenções, que agora são de um modelo considerado mais conservador, e consequentemente, mais seguro.

A partir disso, a reportagem do Cultura Futebolística foi ao estádio conferir o andamento das obras:


Copa do Mundo FIFA Qatar 2022

24/07/2010

Qatar 2022

Concorrendo contra candidaturas de Bélgica/Holanda, Inglaterra, Rússia, Portugal/Espanha, Estados Unidos, Austrália, Japão e Coreia do Sul, está o Qatar. O país do Oriente Médio quer ser a primeira nação árabe a sediar uma Copa do Mundo. Um fator que existe contra os qataris é o fato de que a Copa do Mundo ocorre entre os meses de junho e julho. Nessa época do ano, a média de temperatura do país não fica abaixo dos 30ºC, chegando muitas vezes a alcançar temperaturas de 40ºC. Os organizadores prometem um sistema de controle de temperatura dentro e fora dos estádios, de modo a tornar a presença de turistas e atletas o mais agradável possível. Os organizadores também se comprometeram a permitir a venda de bebidas alcoólicas durante a competição (a venda e consumo de bebidas alcoolicas é proibido no país).

Mas o mais impressionante na candidatura do Catar são os estádios. Por enquanto, foi proposta a utilização de seis estádios, três deles já existentes, mas que serão remodelados e outros três completamente novos.

Dentre os existentes, está aquele que provavelmente sediaria as maiores partidas, incluindo abertura e final, o Khalifa International Stadium. Localizado em Doha (capital do país), foi construído em 1976 e remodelado em 2005, para ser a principal sede dos Jogos Asiáticos de 2006. Atualmente tem 50.000 lugares, e seria expandido para 70.000.

A arquitetura de todos eles é impressionante. Melhor do que falar, é mostrar no vídeo abaixo.


Estádio da semana: Estádio Zerão

15/11/2009

O estádio dessa semana é o Estádio Zerão, localizado na cidade de Macapá, capital do estado do Amapá, Brasil. Chamado oficialmente de Estádio Estadual Milton de Souza Corrêa, o Zerão foi inaugurado em 17 de outubro de 1990, numa partida em que o Independente venceu o Trem por 1 a 0, dois clubes locais. O gol foi marcado pelo jogador Mirandinha. Na época da inauguração o estádio se chamava Ayrton Senna, porém, após a morte de Milton de Souza Corrêa, ex-presidente da Federação Amapaense de Futebol, o estádio recebeu o nome atual. O estádio ainda pertence à Federação Amapaense.

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O estádio tem o apelido de Zerão por estar localizado exatamente a 0 grau de latitude, de acordo com o datum SAD-69 (a confirmar). O estádio foi construído de maneira que a linha do Equador passe exatamente pelo meio do gramado, fazendo com que cada time jogue um tempo de jogo em um hemisfério (norte ou sul).

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Os jogos de maior importância realizados no estádio Zerão são aqueles realizados pelos times amapaenses na Copa do Brasil. O último realizado por esta competição no estádio, entretanto, foi a vitória do Paysandu (PA) sobre o São José por 1 a 0, em fevereiro de 2007. Atualmente, o estádio encontra-se em situação de abandono. Inclusive pelo campeonato amapaense desde 2006 os jogos são realizados no outro estádio de Macapá, o Glicério Marques.

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Estive no estádio em dezembro de 2007 e aparentemente ele estava em obras. Foi a informação dada por alguns funcionários que trabalhavam no local. Aquele que parecia ser o mestre de obras inclusive relatou com orgulho a realização de jogos da Copa do Brasil no estádio. Também disse que a reforma era destinada para receber alguma das seleções que fossem jogar em Belém os jogos da Copa do Mundo de 2014. O gramado estava sendo trocado inclusive.

Chegada ao estádio Zerão

Esclarecimentos sobre a paralização das obras: Futebol do Norte, JusBrasil

Placa na entrada do estádio

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Sete de Setembro e Raimundo Sampaio

10/10/2009

No Jornal Nossa História dessa semana, que circula no bairro Sagrada Família, em Belo Horizonte, saiu uma reportagem sobre Raimundo Sampaio, ex-dirigente do extinto Sete de Setembro Futebol Clube e que dá nome ao estádio Independência, atualmente em posse do América. Achei conveniente compartilhar essa história com aqueles amantes do futebol antigo.

Sete de Setembro FCO “Sete de Setembro” foi fundado no dia 07 de setembro de 1913 e se estivesse em atividade estaria completando 96 anos. Em 1944, passou a se chamar Sete de Setembro Futebol e Regatas, quando foi criada a Federação Mineira de Remo. Em setembro de 1948, voltou, a atender por Sete de Setembro Futebol Clube.

Seus primeiros jogos aconteceram no campo da Chácara Negrão, na rua Itajubá e depois passou a jogar no Independência, estádio construído para a Copa do Mundo de 1950.

Clube de muitas glórias e de grandes craques, o Sete foi vice-campeão da Cidade em 1919 e 1920. Conquistou o Torneio Início de 1922 e o Torneio Coronel Oscar Paschoal em 1956. 

Participou 17 vezes do Campeonato da Cidade de 1915 a 1932, quando o futebol era amador e 24 vezes da era profissional, de 1933 a 1957. Disputou 10 campeonatos mineiros nos anos 1958, 59, 60, 61, 69, 70, 71, 74, 75 e 1976, ano que encerrou suas atividades na 1ª divisão do futebol mineiro e em 1989, com a extinção do clube, o América arrendou o Estádio Independência, mantendo-o sob sua administração.

Raimundo Sampaio

Mas, quando nós lembramos do saudoso Sete de Setembro Futebol Clube, somos obrigados a mencionar o folclórico Presidente vitalício do Sete, o Sr. Raimundo Sampaio, um personagem que, realmente fez e continua fazendo parte da história do futebol mineiro: A lembrança de Sampaio ainda continua guardada na memória de muitas pessoas do esporte e, uma das inúmeras lembranças que o Sete guarda na sua história, foi a festa dos seus 35 anos de vida que aconteceu no ano de 1948. Neste dia o Sete de Setembro enfrentou o Ypiranga, vice-líder do campeonato de São Paulo, onde o Sete venceu o jogo por 3 a 1, com gols de Rui e dois de Esmerindo. Na ocasião o time do Sete, dirigido pelo técnico Américo Tunes, jogou com Randolfo; Corsino e Oldak; Pradinho, Tilim e Mazinho; Esmerindo, Ferreira, Rui, Nelsinho e Caldeirão. Nesta partida teve uma atração a parte para o torcedor, foi o árbitro inglês Mr. Dewine que ostentava um uniforme de legítimo tecido de casimira inglês, cor de cáqui, mais parecido com a farda do Exército australiano do que com uniforme de juiz de futebol. De calção e meias até o joelho, o árbitro pequeno e esperto arrancou dos torcedores aplausos pelo seu uniforme e também quando correndo, fazia a sua famosa diagonal.

A ligação de Raimundo Sampaio com o Sete de Setembro foi muito forte e muito bonita. Ele foi o símbolo maior do clube, uma pessoa que dedicou seu tempo inteiramente a este saudoso clube que era o cartão postal da região. Praticamente, todos os jovens atletas que conviveram com o Sete de Setembro tiveram a oportunidade de fazer parte deste clube jogando em suas categorias de base e posteriormente aceitando o Sete como o segundo time do coração. Sampaio já chegou a dizer que o Sete era mais importante na vida dele que a sua própria família. Sua vida se confundiu a história do clube a ponto do Sete ser uma espécie de sua casa própria.

Sampaio comandou o clube de forma rígida, a sua administração ficou conhecida como mão firme, o que lhe deu o título de severo e rabugento. Mas, até seus próprios adversários políticos reconheciam sua dedicação extraordinária ao clube.

Raimundo Sampaio para aqueles que não sabem, foi árbitro de futebol nas décadas de 30 e 40 e jogador de futebol. Dizem que ele foi um grande lateral direito nos anos 20, conhecido como Mundico e o nome Raimundo Sampaio que foi dado ao Estádio Independência é uma homenagem a este que foi um grande incentivador do futebol e esporte de modo geral em Minas Gerais. Quando nos lembramos de Raimundo Sampaio, temos que falar também sobre o Estádio Independência, que foi o maior palco do futebol mineiro durante 15 anos até a era Mineirão, inaugurado em 1965.

Com a construção do Estádio Magalhães Pinto, o Independência caiu em um injusto esquecimento. Os torcedores e clubes não ligavam mais para o velho alçapão do Horto e para a sobrevivência do Sete de Setembro Futebol Clube, que já não tinha as rendas dos jogos do aluguel do estádio, passou a alugá-lo para outros clubes da capital para realizar treinamentos. Mas, depois da construção da Vila Olímpica, Vale Verde e Toca da Raposa essa prática foi interrompida. O resultado foi o estado de abandono em que o estádio ficou por vários anos. Porém este quadro mudou em 1986 com a reforma do Independência no governo Hélio Garcia que passou para o América tomar conta.

Equipes amadoras participavam de torneios promovidos pelo Sete

O Sete de Setembro na sua existência proporcionou aos moradores do entorno do Estádio Independência um lazer agradável que com certeza está guardado na memória de muitos. Além da quadra esportiva, da piscina, das peladas atrás das traves (gols), dos torneios envolvendo times amadores da região, do desfile da primavera do qual participavam escolas públicas, municipais e particulares, dos bailes na sede social e dos jogos das categorias de base e profissional do Sete, fizeram da época momentos felizes que o América, com a nova reforma do Independência, poderia resgatar numa forma de interagir com a comunidade e ao mesmo tempo conquistar novos torcedores. Raimundo Sampaio morreu dois dias depois de completar oitenta anos. Ele foi sepultado no Cemitério do Bonfim e a bandeira vermelha e branca do seu clube acompanhou o caixão. No seu velório inúmeras personalidades do esporte estiveram presentes. Sampaio morreu por causa de um derrame sofrido em 03 de julho e seu estado de saúde complicou, vindo a falecer em 23 de agosto de 1984.

Hoje o Independência tem o nome do saudoso Raimundo Sampaio e está prestes a ser reformado novamente. Aqueles que conviveram com o Sampaio e torceram muito pelo Sete de Setembro, gostariam que dentro do novo estádio fosse feito um memorial. Seria uma forma justa de homenagear a bonita e difícil história de um clube que no passado foi muito respeitado.


Maracanã – Copa do Mundo e Olimpíadas

02/10/2009

Maracanã

Com a escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016, o Maracanã será o quarto estádio no mundo a ter sediado tanto a final da Copa do Mundo quanto as cerimônias de abertura e encerramento das Olimpíadas.

Antigo Wembley

O primeiro a ter realizado esse feito foi o antigo Estádio Wembley (demolido em 2003 para a construção do Novo Wembley), na Inglaterra. O estádio foi o principal palco das Olimpíadas de Londres, em 1948 e 18 anos depois, em 1966, teve a honra de receber a final da Copa do Mundo, na qual os donos da casa foram campeões em cima da Alemanha.

Olímpico de Munique

O segundo foi o Estádio Olímpico de Munique, que em 1972 foi o palco principal das Olimpíadas e logo dois anos depois sediou a final da Copa do Mundo, quando os alemães donos da casa venceram a Holanda.

Olympiastadion Berlin

O terceiro estádio também era alemão. O Estádio Olímpico de Berlim foi a principal sede das Olimpíadas de 1936. Quase totalmente reformulado, foi a sede da final da Copa do Mundo de 2006, quando a Itália sagrou-se tetracampeã ao vencer a França nos pênaltis.

O Maracanã, assim como o Estádio Olímpico de Munique, também terá diferença de apenas dois anos entre a final da Copa do Mundo e as Olimpíadas. Mas será o primeiro estádio a ter sediado duas finais de Copa (1950 e 2014) e Jogos Olímpicos (2016), além de ser o primeiro também a sediar o evento futebolístico antes do olímpico.