Patrocínio no futebol brasileiro

23/01/2010

A história dos patrocínios em camisas de futebol, pelo menos no Brasil, começa no final da década de 1970, quando as empresas fornecedoras de material esportivo foram permitidas a divulgar seus logotipos nas camisas, embora já fabricassem as mesmas há algum tempo. No ano de 1978 já era possível ver a marca da adidas nas camisa de Palmeiras e Internacional. Os patrocínios como conhecemos hoje, porém, só foram permitidos no ano de 1982, e inicialmente só na parte de trás da camisa. Assim, alguns clubes já se movimentaram e nesse mesmo ano estamparam em suas camisas: Bombril, no Corinthians; Olympikus, no Grêmio; Agrimisa, no Atlético Mineiro. Nos anos seguintes, todos os clubes já aderiram a essa novidade.

A princípio, os contratos de patrocínio eram firmados por curtos períodos de tempo, geralmente para partidas importantes como finais de campeonato. Mas com o passar do tempo, os contratos foram ficando mais duradouros e as relações entre clubes e patrocinadores mais complexas. Um grande avanço aconteceu ainda no final da década de 1980, a Coca-Cola investiu para patrocinar quase todos os grandes clubes do país. As exceções a essa regra foram Corinthians e Flamengo, por estes já terem contrato de longo prazo assinado com outras empresas: o Timão com a Kalunga (1985-1994) e o Mengo com a Petrobras (exibindo quase sempre a marca Lubrax, 1984-2009). A Coca-Cola, como deve ser ciência de todos, tem seu logo nas cores vermelho e branco, predominantemente. Assim, nas camisas dos times, constava uma grande caixa retangular em vermelho com o escrito Coca-Cola em branco. Isso aconteceu em todos os clubes patrocinados pela empresa, menos em um: o Grêmio. Para não carregar as cores do principal rival, Internacional, o logotipo da Coca-Cola, substituiu o vermelho pelo preto.

O Grêmio, por sinal, é um clube bastante restritivo em relação a patrocinadores em suas camisas. Todos os patrocinadores que teve até hoje, por mais multicoloridos que fossem, tiveram que adaptar suas cores às do tricolor gaúcho, azul, branco ou preto. Da mesma forma acontece com o rival do Grêmio, o Internacional, que nunca teve estampada marcas em cores diferentes do vermelho e branco. É pena que isso aconteça só no Rio Grande do Sul, uma vez que no resto do país os clubes sejam bem mais permissivos quanto a isso.

Acontece que, na grande maioria das vezes, o dinheiro investido por um patrocinador fala muito mais alto que a tradição dos clubes. Endividados, estes se rendem às exigências daqueles que fazem o investimento. Isso leva a concluir que a marca da empresa hoje em dia tem um valor mais alto que a marca do clube, quando deveria ser o contrário. A camisa não deixa de ser parte da história de um clube de futebol e de seus muitos torcedores. Manchar os “mantos sagrados” dos clubes com outras cores que não sejam aquelas tradicionais é considerada uma heresia para seus torcedores.

Infelizmente, a tendência é só piorar. O fato de Corinthians e Flamengo assinarem contratos de mais de 40 milhões de reais por ano fatalmente inflacionará o mercado de patrocínio no Brasil. Com tanto dinheiro entrando, em contrapartida os times ficam reféns de seus financiadores. O Corinthians, em seu ano do centenário, jogará com uma camisa que mais parece um abadá do que um uniforme de futebol, tamanho é o número de marcas estampadas. No final do ano passado o clube já tinha, além dos patrocínios tradicionais na “barriga”, da Batavo, e nas mangas, da Bozzano, patrocínio nos ombros, Baú da Felicidade, na parte inferior da camisa, Banco Panamericano, e uma novidade, nas axilas, do desodorante Avanço. A assinatura do contrado com a Hypermarcas não mudará em nada essa situação, uma vez que apenas mudará a marca Batavo pela dos Laboratórios Neoquímica.

Em Minas Gerais a atual polêmica é no uniforme do Cruzeiro. Tanto o clube azul, quanto o rival Atlético, assinaram seus maiores contratos de patrocínio, com o banco BMG e a Ricardo Eletro. No Atlético aparentemente não houve muita reclamação por parte da torcida quanto à estampa dessas marcas em sua camisa, o BMG em letras garrafais da cor laranja e Ricardo Eletro, um retângulo amarelo com escritos em vermelho e verde. O Galo já tem, digamos, uma terceira cor, o vermelho, que é usada na numeração das camisas e também em patrocínios antigos, como da Coca-Cola, entre 1987 e 1994, e da TAM, entre 1995 e 1996. E também teve patrocinadores em tons destoantes, como o da Construtora Tenda, em verde, entre 1997 e 1998. O Cruzeiro, porém, é mais tradicionalista em relação a isso. Tudo bem que na sua história a camisa do clube também já foi “tricolor” em algumas oportunidades. Entre 1986 e 1989, com o BDMG e a Coca-Cola, exibindo suas marcas em grandes retângulos vermelhos. Mas a própria Coca-Cola rendeu-se à tradição do clube, sendo que de 1990 a 1994 abandonou a caixa vermelha e exibiu sua marca apenas na fonte branca. Nos anos de 2000 e 2001 novamente um desvio na tradição da camisa do Cruzeiro, quando as ceras Grand Prix apareciam em um grande círculo amarelo nas mangas da camisa. Mais recentemente, porém, duas marcas patrocinaram o Cruzeiro e adaptaram suas cores sem problema algum à camisa. Em 2007 a Xerox, vermelha, exibiu sua cor original apenas na camisa branca do clube. Na camisa azul, a marca ficou em branco. No ano seguinte a mesma situação com a Tenda Construtora, também vermelha, ficou escrita em branco na camisa azul. E isso, em momento algum, provocou a ira de grande parte da torcida, como agora.

Um exemplo é da camisa do Palmeiras em 2008. As tintas Suvinil exibiam sua tradicional marca, numa caixa amarela e vermelha, nas mangas da camisa. A torcida protestou e a Suvinil, sem nenhum problema, modificou seu logotipo apenas para a cor branca. O banco BMG já mostrou que é possível mudar suas cores, sem a perda de sua identidade visual, como na camisa do Atlético Goianiense e no próprio site oficial do Cruzeiro. Mas também já cometeu a mesma atrocidade nas camisas de Vasco e Coritiba.

As coisas da forma como estão, em pouco tempo os times brasileiros terão camisas como as dos clubes mexicanos. É uma pena.

Necaxa Monterrey


Mascotes do Ziraldo

13/10/2009

A Copa União de 1987 foi o campeonato brasileiro daquele ano, organizado pelo Clube dos 13, ao invés da CBF. Dessa forma, novos projetos tentavam ser colocados em prática, principalmente envolvendo ações de marketing. Entre essas ações, foi contratado o cartunista Ziraldo para redesenhar os mascotes dos clubes daquela competição, a fim de vender produtos, entre outras coisas.

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Os mascotes foram popularizados principalmente nos álbuns do Campeonato Brasileiro entre o final da década de 1980 e início da década de 1990. Por algum motivo, não se se não foi desenhado, nunca vi o mascote do Palmeiras.

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Mais de 20 anos depois, Ziraldo voltou a desenhar mascotes para clubes de futebol brasileiros. O Corinthians encomendou um novo desenho, mais moderno, para o Mosqueteiro, que deixou de ser gordo e se tornou mais, digamos, esbelto. Como parte de ações de marketing também foram criados o Mosquetinho (para o público infantil) e a Mosqueteira (para o feminino).

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 E o Vitória, que não teve seu mascote desenhado em 1987, encomendou ao desenhista uma versão para o Leão, na comemoração dos 110 anos do clube, agora em 2009. Ziraldo fez duas versões para o clube baiano.

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Centenário do Coritiba

12/10/2009

Coritiba Foot Ball Club No dia 12 de outubro de 1909, há exatos 100 anos, era fundado aquele que se tornaria um dos grandes clubes do futebol brasileiro, o Coritiba Foot Ball Club.

O clube foi fundado como Corytibano, a forma como eram chamados aqueles que nasciam em Corytiba (grafia da época). Em abril de 1910, o clube mudou o nome para Corytiba. Dois anos mais tarde, a cidade mudou sua grafia para Curytiba, mas o clube preferiu não acompanhar a alteração. O “y” da cidade e do clube só caiu em 1915.

O primeiro jogo do clube aconteceu em 16 de junho de 1910, quando venceu o Ponta Grossa por 5 a 3.

O Coritiba manda seus jogos no estádio Couto Pereira, uma homenagem ao major cearense Major Antônio Couto Pereira, presidente do clube em 1926, 1927 e de 1930 a 1933. Foi ele quem começou a construção do estádio, inaugurado em 1932. Esse nome só foi oficializado em 1977, após o falecimento do homenageado. Até essa data o estádio se chamava Belfort Duarte, e ainda é conhecido também como Alto da Glória, o bairro onde está situado.

camisa_coritiba_2009 Como não admitia jogadores negros no time, o Coritiba era hostilizado pelos rivais. Em 1939, o atleticano Jofre Cabral xingou o beque Breyer Hanz Egon de “coxa-branca”. O termo ficou marcado e, anos depois, foi bem aceito pelo Coritiba.

O ex-goleiro Jairo é o jogador que mais jogou no Coxa (408 jogos oficiais e 32 amistosos). Com Jairo no gol o time foi hexacampeão (o goleiro foi titular nas conquistas de 1972/73/74/75/76) e, na década de 1980, quando Jairo voltou ao clube, levantou a taça de Campeão Brasileiro de 1985, como reserva.

O clube foi campeão paranaense pela primeira vez em 1916 mas só voltou a conquistá-lo em 1927. Em 1940 o clube foi convidado para inaugurar o estádio do Pacaembu, em São Paulo. Zequinha, jogador do clube, fez o primeiro gol no estádio, mas o Coxa perdeu por 6 a 2 para o Palestra Itália (atual Palmeiras). Em 1942 o Coritiba conquista seu primeiro bicampeonato estadual, e em 1947 e 1952 mais dois bicampeonatos. Em 1954 campeão e em 1956/57 bicampeão. Em 1959/60 o quinto bicampeonato. Em 1968 é campeão novamente, ao vencer o Atlético dos campeões mundiais Bellini e Djalma Santos. Em 1973 o Coritiba sagra-se campeão do Torneio do Povo, que reuniu Flamengo, Corinthians, Internacional e Atlético Mineiro.

Entre 1971 e 1976 o Coritiba se torna hexacampeão paranaense, igualando o feito do Britânia entre 1918 e 1923. No Brasileiro de 1979 o clube alcança sua melhor colocação até então, perdendo as semifinais para o Vasco. Em 1980 repete o feito, dessa vez derrotado pelo Flamengo.

Coritiba Campeão Brasileiro de 1985

Marco Aurélio levanta o troféu da Taça de Ouro (Campeonato Brasileiro)

Em 1985 aquele que foi o maior título do clube até hoje, a Taça de Ouro, como era chamado o Campeonato Brasileiro. Na primeira fase, em um grupo de 10 clubes, o Coxa terminou apenas na 7ª colocação com 5 vitórias em 20 jogos. Mas o regulamento previa que o campeão do turno e do returno se classificavam para a próxima fase, além dois dois clubes com mais pontos na soma dos dois turnos. O Coritiba ficou em 1º no returno do grupo e se classificou para a segunda fase. Na segunda fase, caiu num grupo com Sport, Joinville e Corinthians, terminando em 1º e classificando-se para as semifinais da competição. Na semifinal, venceu o Atlético Mineiro em casa por 1 a 0 e empatou fora por 0 a 0, sendo o primeiro clube paranaense a disputar a final do campeonato. A final deste ano foi disputada em apenas um jogo, e como o Bangu teve melhor campanha que o Coxa, a partida foi disputada no Maracanã. A partida terminou 1 a 1 no tempo normal. A prorrogação ficou em 0 a 0 e a decisão foi para os pênaltis. Nas cobranças, Índio, Marco Aurélio (que hoje é técnico), Édson, Lela, Vavá e Gomes marcaram para o Coritiba. Gilson Gênio, Pingo, Baby, Mário Marques e Marinho fizeram para o Bangu. Porém, na última cobraçna, o alvirrubro Ado desperdiçou e assim o Coritiba foi campeão brasileiro de 1985.

Com o título, no ano seguinte disputou a Taça Libertadores. Na primeira fase, terminou em primeiro num grupo com Bangu, e os equatorianos Deportivo Quito e Barcelona de Guayaquil. Porém, na segunda fase deu azar e caiu num grupo com Argentinos Juniors (atual campeão) e River Plate, ficando em 3º e sendo eliminado.

Em 1989, apesar do título estadual, o Coritiba foi rebaixado no campeonato brasileiro. O Coritiba queria disputar seu jogo decisivo, na última rodada, no mesmo horário que seu adversário direto. A CBF já havia dado essa permissão ao Vasco, mas não deu aos paranaenses. O clube resolveu então protestar e deixou o Santos esperando em campo, na partida que estava marcada para a cidade de Juiz de Fora. O STJD suspendeu o Coritiba das competições nacionais por um ano, além de rebaixá-lo para a segunda divisão.

Coxa 100 anos O Coxa só conseguiria retornar para a primeira divisão em 1996, após ser vice-campeão da Série B em 1995, perdendo o título para os rivais do Atlético Paranaense. Em 1999 o Coritiba volta a ser campeão paranaense após um jejum de 10 anos. Em 2001 perde a final da Copa Sul-Minas para o Cruzeiro. O título estadual só voltaria a ser conquistado em 2003. No mesmo ano, o clube fica em 5º lugar no Brasileiro, ganhando vaga para a Libertadores do ano seguinte. Mas num grupo com Sporting Cristal (PER), Rosário Central (ARG) e Olímpia (PAR), fica em terceiro lugar e é eliminado.

Em 2005, o clube vai mal no Brasileiro e é rebaixado, junto com Atlético Mineiro, Paysandu e Brasiliense. Em 2006, termina a Série B em 6º e permanece na segundona por mais um ano. Em 2007, porém, garante o acesso para a primeira divisão com algumas rodadas de antecedência. Na última rodada, vira a partida contra o Santa Cruz no último minuto, superando o Ipatinga e sendo campeão brasileiro da segunda divisão.

Por todos estes feitos, o Coritiba é considerado um dos 20 maiores do Brasil.