Brasileiros em finais sulamericanas

02/12/2010

Pode parecer incrível, mas a presença do Goiás na final da Copa Sul-Americana de 2010 é a 64ª de um clube brasileiro em uma final de competição organizada pela Conmebol (Confederação Sulamericana de Futebol). Das outras 63 vezes que chegou à final, o Brasil foi campeão 36 vezes, sendo que 11 dessas 36 tiveram o outro finalista também brasileiro. Das finais contra clubes estrangeiros, o Brasil venceu 25 e perdeu 27 vezes.

Dentre os clubes mais vezes finalistas, Cruzeiro e São Paulo empatam com 15 finais. Palmeiras e Internacional têm 7 cada. O Flamengo tem 6 finais, enquanto Grêmio e Atlético Mineiro têm 5. O Santos tem 4 finais e o Vasco tem 3. Fluminense e Botafogo têm 2 cada. São Caetano, Atlético Paranaense, CSA de Alagoas e agora o Goiás têm 1 final.

As competições consideradas foram: Copa Libertadores (1960-2010), Copa Sulamericana (2002-2010), Supercopa Libertadores (1988-1997), Copa Mercosul (1998-2001), Recopa Sulamericana (1989-2010), Copa Conmebol (1992-1999), Copa Ouro (1993-1996), Copa Masters da Supercopa (1992-1995), Copa Masters da Conmebol (1996), Copa Interamericana (1968-1998), Copa Suruga Bank (2008-2010)

Ano Competição Clube brasileiro Clube rival Resultado
1961 Libertadores Palmeiras Peñarol (URU) Vice
1962 Libertadores Santos Peñarol (URU) Campeão
1963 Libertadores Santos Boca Juniors (ARG) Campeão
1968 Libertadores Palmeiras Estudiantes (ARG) Vice
1974 Libertadores São Paulo Independiente (ARG) Vice
1976 Libertadores Cruzeiro River Plate (ARG) Campeão
1977 Libertadores Cruzeiro Boca Juniors (ARG) Vice
1980 Libertadores Internacional Nacional (URU) Vice
1981 Libertadores Flamengo Cobreloa (CHI) Campeão
1983 Libertadores Grêmio Peñarol (URU) Campeão
1984 Libertadores Grêmio Independiente (ARG) Vice
1988 Supercopa Cruzeiro Racing (ARG) Vice
1991 Supercopa Cruzeiro River Plate (ARG) Campeão
1992 Libertadores São Paulo Newell’s Old Boys (ARG) Campeão
1992 Supercopa Cruzeiro Racing (ARG) Campeão
1992 Conmebol Atlético Mineiro Olimpia (PAR) Campeão
1992 Recopa Cruzeiro Colo-Colo (CHI) Vice
1992 Masters Supercopa Cruzeiro Boca Juniors (ARG) Vice
1993 Libertadores São Paulo Universidad Católica (CHI) Campeão
1993 Supercopa São Paulo Flamengo Campeão e vice
1993 Conmebol Botafogo Peñarol (URU) Campeão
1993 Recopa São Paulo Cruzeiro Campeão e vice
1993 Copa Ouro Atlético Mineiro Boca Juniors (ARG) Vice
1994 Libertadores São Paulo Vélez Sársfield (ARG) Vice
1994 Conmebol São Paulo Peñarol (URU) Campeão
1994 Recopa São Paulo Botafogo Campeão e vice
1995 Libertadores Grêmio Atlético Nacional (COL) Campeão
1995 Supercopa Flamengo Independiente (ARG) Vice
1995 Conmebol Atlético Mineiro Rosario Central (ARG) Vice
1995 Copa Ouro Cruzeiro São Paulo Campeão e vice
1995 Masters Supercopa Cruzeiro Olimpia (PAR) Campeão
1996 Supercopa Cruzeiro Vélez Sársfield (ARG) Vice
1996 Recopa Grêmio Independiente (ARG) Campeão
1996 Copa Ouro Flamengo São Paulo Campeão e vice
1996 Masters Conmebol São Paulo Atlético Mineiro Campeão e vice
1997 Libertadores Cruzeiro Sporting Cristal (PER) Campeão
1997 Supercopa São Paulo River Plate (ARG) Vice
1997 Conmebol Atlético Mineiro Lanús (ARG) Campeão
1998 Libertadores Vasco Barcelona (ECU) Campeão
1998 Conmebol Santos Rosario Central (ARG) Campeão
1998 Recopa Cruzeiro River Plate (ARG) Campeão
1998 Mercosul Palmeiras Cruzeiro Campeão e vice
1998 Interamericana Vasco DC United (EUA) Vice
1999 Libertadores Palmeiras Deportivo Cali (COL) Campeão
1999 Conmebol CSA Talleres (ARG) Vice
1999 Mercosul Flamengo Palmeiras Campeão e vice
2000 Libertadores Palmeiras Boca Juniors (ARG) Vice
2000 Mercosul Vasco Palmeiras Campeão e vice
2001 Mercosul Flamengo San Lorenzo (ARG) Vice
2002 Libertadores São Caetano Olimpia (PAR) Vice
2003 Libertadores Santos Boca Juniors (ARG) Vice
2005 Libertadores São Paulo Atlético Paranaense Campeão e vice
2006 Libertadores Internacional São Paulo Campeão e vice
2006 Recopa São Paulo Boca Juniors (ARG) Vice
2007 Libertadores Grêmio Boca Juniors (ARG) Vice
2007 Recopa Internacional Pachuca (MEX) Campeão
2008 Libertadores Fluminense LDU Quito (ECU) Vice
2008 Sulamericana Internacional Estudiantes (ARG) Campeão
2009 Libertadores Cruzeiro Estudiantes (ARG) Vice
2009 Sulamericana Fluminense LDU Quito (ECU) Vice
2009 Recopa Internacional LDU Quito (ECU) Vice
2009 Suruga Internacional Oita Trinita (JAP) Campeão
2010 Libertadores Internacional Guadalajara (MEX) Campeão
2010 Sulamericana Goiás Independiente (ARG)
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Mascotes do Ziraldo

13/10/2009

A Copa União de 1987 foi o campeonato brasileiro daquele ano, organizado pelo Clube dos 13, ao invés da CBF. Dessa forma, novos projetos tentavam ser colocados em prática, principalmente envolvendo ações de marketing. Entre essas ações, foi contratado o cartunista Ziraldo para redesenhar os mascotes dos clubes daquela competição, a fim de vender produtos, entre outras coisas.

Os mascotes foram popularizados principalmente nos álbuns do Campeonato Brasileiro entre o final da década de 1980 e início da década de 1990. Por algum motivo, não se se não foi desenhado, nunca vi o mascote do Palmeiras.

Mais de 20 anos depois, Ziraldo voltou a desenhar mascotes para clubes de futebol brasileiros. O Corinthians encomendou um novo desenho, mais moderno, para o Mosqueteiro, que deixou de ser gordo e se tornou mais, digamos, esbelto. Como parte de ações de marketing também foram criados o Mosquetinho (para o público infantil) e a Mosqueteira (para o feminino).

E o Vitória, que não teve seu mascote desenhado em 1987, encomendou ao desenhista uma versão para o Leão, na comemoração dos 110 anos do clube, agora em 2009. Ziraldo fez duas versões para o clube baiano.

Atualização em 01/09/2018:

O leitor Marcos Vinícius Nascimento Berti nos enviou uma belíssima contribuição: uma reportagem da Revista Placar de maio de 1988. Na matéria, escrita por Renato Maurício Prado, o cartunista Ziraldo é entrevistado no momento de criação dos mascotes, para o Clube dos Treze. A matéria mostra alguns mascotes que posteriormente tiveram seus desenhos alterados, como a Raposa, do Cruzeiro, o Galo, do Atlético-MG, e a Baleia, do Santos. No caso do Botafogo, a matéria cita que Ziraldo tinha dúvidas entre o Manequinho e o cachorro Biriba, mas que tinha preferência por este segundo (inclusive tem o desenho). Posteriormente, o mascote oficializado do alvinegro foi o garoto fazendo xixi mesmo. E por fim a matéria cita uma eleição que a Placar estava fazendo para que os torcedores palmeirenses escolhessem entre seu mascote favorito: o periquito (que é o oficial) ou o porco (como a torcida acolheu). Não sabemos quem foi o vencedor desse pleito, mas o fato é que (pelo menos pra mim) são novidades estes mascotes do Palmeiras desenhados pelo Ziraldo, uma vez que nos álbuns dos anos 1980 e 1990 o periquito não tinha o desenho assinado pelo cartunista mineiro.

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Segue a matéria na íntegra:

Para trazer sorte
O Clube dos 13 contrata Ziraldo para recriar os símbolos do grandes times numa deliciosa e lucrativa jogada de marketing

Quando o primeiro time pintar na boca do túnel para entrar em campo na Copa União deste ano, virá acompanhado de uma nova mascote. Simpática, colorida, para – mais que sorte – trazer dinheiro aos clubes do Clube dos Treze.

Pois os dirigentes das maiores forças do futebol brasileiro acabam de contratar o cartunista Ziraldo para recriar – e, em alguns casos, criar – os símbolos de cada grande equipe do Brasil. Os novos desenhos aparecerão estampados em diversos produtos, levando um bicho extra para os quase sempre combalidos cofres dos clubes.

“Está mais que na hora de o futebol brasileiro entrar no tempo do marketing”, julga Ziraldo. Mineiro de Caratinga, 55 anos, o rubro-negro Ziraldo Alves Pinto está convencido de que o futebol tem uma única saída: reconquistar o público jovem ou morrer. “A garotada de hoje não entende mais por que o marinheiro Popeye foi o símbolo do Flamengo ou como o Pato Donald pode representar o Botafogo”, espanta-se. “Por isso, uma de minhas maiores preocupações neste trabalho foi rejuvenescer as mascotes.”

Assim, o Almirante do Vasco, por exemplo, será um menino e não um austero senhor bigodudo. Até mesmo o urubu rubro-negro – criação inesquecível de Henfil – terá traços jovens. “O importante é facilitar a identificação dos símbolos com a gurizada”, planeja o cartunista.

Mato sem cachorro

Nem tudo, porém, vai ser novidade. “Alguém pode imaginar o Atlético não sendo o Galo, ou o Cruzeiro algo que não a Raposa?”, pergunta Ziraldo. “Eles são imortais e vão continuar bem vivos.” Já não é o caso do Botafogo: “Esse é complicado até em mascote”, brinca. “Conversei com o presidente Althemar Dutra de Castilho e ele me pediu para fazer o Manequinho (famosa estátua de um menino fazendo xixi, em frente à sede do clube, no Mourisco) puxando pela coleira o ‘Biriba’ (o cachorrinho mascote do falecido dirigente Carlito Rocha). Não dava, né? Acabei optando pela figura solitária do ‘Biriba’. Ficou uma gracinha…”

Se Ziraldo encontrou a solução para o Botafogo, está num mato sem cachorro para o caso do Palmeiras. “É porco ou periquito?”, questiona, sem achar a resposta. E apela: “Acho que PLACAR deveria fazer um plebiscito entre a própria torcida”.

A proposta está lançada. “O negócio é agitar”, entusiasma-se Ziraldo. “Continuo sendo um apaixonado pelo nosso futebol. Espero que esses símbolos sejam apenas os primeiros passos para transformar o futebol num espetáculo moderno em termos de comunicação e de marketing.”

Renato Maurício Prado