Mais Jabulani

10/07/2010

Como já havia sido feito na final da Copa de 2006, quando foi feita a +Teamgeist Berlin, a Copa de 2010 terá uma bola especial para a sua final, amanhã, entre Holanda e Espanha. Trata-se da Jo’bulani, uma versão da Jabulani com desenhos na cor dourada. O nome é uma homenagem à cidade que receberá a final, Joanesburgo, que comumente é chamada também de Jo’burg.

A Jo’bulani é mais uma versão da Jabulani das várias versões da bola que virão pela frente.

Primeiramente, antes mesmo da Copa do Mundo, na Copa Africana de Nações de 2010, a bola oficial do torneio foi a Jabulani Angola, que possuía as cores do país-sede.

Semana passada foi anunciada pela LPFP (Liga Portuguesa de Futebol Profissional) a bola do Campeonato Português 2010/2011. Trata-se de uma Jabulani laranjada com as cores portuguesas.

Agora foi a vez do Fluminense, patrocinado também pela adidas, lançar sua “Jabulani Fluminense”. A bola provavelmente será utilizada nos treinamentos do clube, uma vez que no Campeonato Brasileiro a bola é a Nike quem fornece. Entretanto, se surgiu essa Jabulani para o tricolor carioca, é provável que aconteça o mesmo com outros clubes patrocinados pela adidas, como Palmeiras, River Plate e clubes europeus.

Anúncios

Patrocinadores oficiais da Copa do Mundo

20/06/2010

A história de patrocínio nas Copas do Mundo começa no México, em 1970. Naquele ano, porém, as placas de publicidade não ficavam na lateral do campo, como é comum hoje em dia, mas no muro que separava a arquibancada do gramado. Já na Copa de 1974 as placas de publicidade foram para a lateral do gramado, embora em alguns jogos, também em 1978, existissem placas até na parte de trás do gramado, atrás dos gols.

Na Copa de 2002, uma novidade: a placa que fica no centro do campo passa a mostrar o nome da cidade em que ocorre a partida. E agora na Copa de 2010, mais uma novidade: as placas de publicidade passaram a ser eletrônicas. Assim, a publicidade fica muito mais flexível, alternando os patrocinadores que aparecem nas placas durante todo o jogo. A placa central, por exemplo, agora alterna entre os dizeres “2010 FIFA World Cup”, o nome da cidade e o nome do estádio. As marcas também ficam mais maleáveis. O McDonald’s alterna entre o nome da empresa e seu slogan “I’m lovin’ it”. A empresa automobilística sul-coreana Hyundai alterna entre a própria marca e a marca de outra empresa automobilística de sua propriedade,a Kia Motors e seu carro Kia Soul. E existem também as empresas que variam as marcas de acordo com a seleção que está jogando. A cervejaria Anheuser-Busch InBev coloca sua Budweiser como patrocinadora oficial da Copa no site da FIFA, aparecendo esta marca na grande maioria das partidas do Mundial. Mas nos jogos do Brasil, a marca que aparece é da cerveja Brahma; nos jogos da Argentina, a Quilmes; nos jogos da Holanda, a Jupiler; nos jogos da Alemanha, a Hasseröder; nos jogos do Japão, a Harbin Beer. Quase da mesma forma acontece com a empresa alimentícia Grupo Marfrig. Sua marca Seara aparece em todas as partidas, mas quando jogam determinadas seleções aparece acompanhada de outras marcas do grupo: Paty (Argentina, Paraguai e Chile), Moy Park (Holanda e Inglaterra), Pemmican (Estados Unidos).

Confira os patrocinadores de cada Copa do Mundo, desde 1982:

COPA DE 2010 – ÁFRICA DO SUL

Parceiros da FIFA
adidas
Coca-Cola – com as marcas Coca-Cola e Powerade
Emirates Airlines – com o slogan Fly Emirates (Voe Emirates)
Hyundai Kia Motors – com as marcas Hyundai, Kia Motors e Kia Soul
Sony – com o slogan Imagine football in 3D Sony make.believe
Visa – com a marca Visa e o site visa.com/football
Patrocinadores da Copa do Mundo
Anheuser-Busch InBev – com as marcas Budweiser, BudUnited.com, Brahma (jogos do Brasil), Quilmes (jogos da Argentina), Jupiler (jogos da Holanda), Hasseröder (jogos da Alemanha), Harbin Beer (jogos do Japão)
Castrol – com as marcas Castrol, Castrol Edge e Castrol Magnatec
Continental
McDonald’s – com a marca McDonald’s e o slogan I’m lovin’ it
MTN
Mahindra Satyam
Grupo Marfrig – com as marcas Seara, Paty (jogos da Argentina, Chile e Paraguai), Moy Park (jogos da Holanda e Inglaterra), Pemmican (jogos dos Estados Unidos)
Yingli Solar
Patrocinadores do país-sede
BP Africa (British Petroleum)
FNB (First National Bank)
Neo Africa
Prasa
Aggreko
Telkom

COPA DE 2006 – ALEMANHA

Parceiros da FIFA
adidas
Anheuser-Busch – com a marca Budweiser
Avaya
Coca-Cola
Continental
Deutsche Telekom – com a marca T.com
Emirates Airlines – com o slogan Fly Emirates
Fujifilm
Gillette
Hyundai
MasterCard
McDonald’s – com o slogan I’m lovin’ it
Philips
Toshiba
Yahoo!
Patrocinadores do país-sede
Energie Baden-Württemberg AG (EnBW)
OBI
Hamburg-Mannheimer Versicherung
Postbank
ODDSET
Deutsche Bahn AG

COPA DE 2002 – COREIA DO SUL /JAPÃO

adidas
Avaya
Budweiser
Coca-Cola
Fuji Xerox
Fujifilm
Gillette
Hyundai
JVC
MasterCard
McDonald’s
Philips
Toshiba
Yahoo!
Patrocinadores do país-sede
KT (Korea Telecom)
NTT (Nippon Telegraph and Telephone)

COPA DE 1998 – FRANÇA

adidas
Braun
Budweiser
Canon
Casio
Coca-Cola
Danone
EDS
Fujifilm
General Motors – com a marca Opel
Gillette
JVC
La Poste
Manpower
MasterCard
McDonald’s
Philips
Snickers

COPA DE 1994 – ESTADOS UNIDOS

adidas
Canon
Coca-Cola
EDS (antigo nome da HP – Hawlett-Packard)
Energizer
Fujifilm
General Motors – com as marcas Chevrolet, Opel, Pontiac e GMC Truck
Gillette
JVC
MasterCard
McDonald’s
Philips
Snickers
Sprint

COPA DE 1990 – ITÁLIA

adidas
Alfa Romeo
Alitalia
Budweiser
Canon
Carlsberg
Coca-Cola
Fujifilm
Grana Padano
Gillette
JVC
Mars
M&M’s
Philips
Radiocorriere TV

COPA DE 1986 – MÉXICO

Bata
Budweiser
Camel
Canon
Cinzano
Coca-Cola
Fujifilm
General Motors – com a marca Opel
Gillette
JVC
Philips
Seiko
Sport Billy

COPA DE 1982 – ESPANHA

Parceiros FIFA
Canon – com as marcar Canon cameras, Canon copiers e Canon calculators
Coca-Cola
Fujifilm
Gillette
Iveco
JVC
Metaxa Brandy
Seiko
Sport Billy
Winston
Patrocínios locais
Annabella Pavia
Caloi
Casas Pernambucanas (nos jogos no Brasil)
ellesse
Erdgas Heizung
Irge il Pigiama
Jeans Staroup
Rifle
River 90
Taurus Tyres
Vitasay / Doril


Patrocínio no futebol brasileiro

23/01/2010

A história dos patrocínios em camisas de futebol, pelo menos no Brasil, começa no final da década de 1970, quando as empresas fornecedoras de material esportivo foram permitidas a divulgar seus logotipos nas camisas, embora já fabricassem as mesmas há algum tempo. No ano de 1978 já era possível ver a marca da adidas nas camisa de Palmeiras e Internacional. Os patrocínios como conhecemos hoje, porém, só foram permitidos no ano de 1982, e inicialmente só na parte de trás da camisa. Assim, alguns clubes já se movimentaram e nesse mesmo ano estamparam em suas camisas: Bombril, no Corinthians; Olympikus, no Grêmio; Agrimisa, no Atlético Mineiro. Nos anos seguintes, todos os clubes já aderiram a essa novidade.

A princípio, os contratos de patrocínio eram firmados por curtos períodos de tempo, geralmente para partidas importantes como finais de campeonato. Mas com o passar do tempo, os contratos foram ficando mais duradouros e as relações entre clubes e patrocinadores mais complexas. Um grande avanço aconteceu ainda no final da década de 1980, a Coca-Cola investiu para patrocinar quase todos os grandes clubes do país. As exceções a essa regra foram Corinthians e Flamengo, por estes já terem contrato de longo prazo assinado com outras empresas: o Timão com a Kalunga (1985-1994) e o Mengo com a Petrobras (exibindo quase sempre a marca Lubrax, 1984-2009). A Coca-Cola, como deve ser ciência de todos, tem seu logo nas cores vermelho e branco, predominantemente. Assim, nas camisas dos times, constava uma grande caixa retangular em vermelho com o escrito Coca-Cola em branco. Isso aconteceu em todos os clubes patrocinados pela empresa, menos em um: o Grêmio. Para não carregar as cores do principal rival, Internacional, o logotipo da Coca-Cola, substituiu o vermelho pelo preto.

O Grêmio, por sinal, é um clube bastante restritivo em relação a patrocinadores em suas camisas. Todos os patrocinadores que teve até hoje, por mais multicoloridos que fossem, tiveram que adaptar suas cores às do tricolor gaúcho, azul, branco ou preto. Da mesma forma acontece com o rival do Grêmio, o Internacional, que nunca teve estampada marcas em cores diferentes do vermelho e branco. É pena que isso aconteça só no Rio Grande do Sul, uma vez que no resto do país os clubes sejam bem mais permissivos quanto a isso.

Acontece que, na grande maioria das vezes, o dinheiro investido por um patrocinador fala muito mais alto que a tradição dos clubes. Endividados, estes se rendem às exigências daqueles que fazem o investimento. Isso leva a concluir que a marca da empresa hoje em dia tem um valor mais alto que a marca do clube, quando deveria ser o contrário. A camisa não deixa de ser parte da história de um clube de futebol e de seus muitos torcedores. Manchar os “mantos sagrados” dos clubes com outras cores que não sejam aquelas tradicionais é considerada uma heresia para seus torcedores.

Infelizmente, a tendência é só piorar. O fato de Corinthians e Flamengo assinarem contratos de mais de 40 milhões de reais por ano fatalmente inflacionará o mercado de patrocínio no Brasil. Com tanto dinheiro entrando, em contrapartida os times ficam reféns de seus financiadores. O Corinthians, em seu ano do centenário, jogará com uma camisa que mais parece um abadá do que um uniforme de futebol, tamanho é o número de marcas estampadas. No final do ano passado o clube já tinha, além dos patrocínios tradicionais na “barriga”, da Batavo, e nas mangas, da Bozzano, patrocínio nos ombros, Baú da Felicidade, na parte inferior da camisa, Banco Panamericano, e uma novidade, nas axilas, do desodorante Avanço. A assinatura do contrado com a Hypermarcas não mudará em nada essa situação, uma vez que apenas mudará a marca Batavo pela dos Laboratórios Neoquímica.

Em Minas Gerais a atual polêmica é no uniforme do Cruzeiro. Tanto o clube azul, quanto o rival Atlético, assinaram seus maiores contratos de patrocínio, com o banco BMG e a Ricardo Eletro. No Atlético aparentemente não houve muita reclamação por parte da torcida quanto à estampa dessas marcas em sua camisa, o BMG em letras garrafais da cor laranja e Ricardo Eletro, um retângulo amarelo com escritos em vermelho e verde. O Galo já tem, digamos, uma terceira cor, o vermelho, que é usada na numeração das camisas e também em patrocínios antigos, como da Coca-Cola, entre 1987 e 1994, e da TAM, entre 1995 e 1996. E também teve patrocinadores em tons destoantes, como o da Construtora Tenda, em verde, entre 1997 e 1998. O Cruzeiro, porém, é mais tradicionalista em relação a isso. Tudo bem que na sua história a camisa do clube também já foi “tricolor” em algumas oportunidades. Entre 1986 e 1989, com o BDMG e a Coca-Cola, exibindo suas marcas em grandes retângulos vermelhos. Mas a própria Coca-Cola rendeu-se à tradição do clube, sendo que de 1990 a 1994 abandonou a caixa vermelha e exibiu sua marca apenas na fonte branca. Nos anos de 2000 e 2001 novamente um desvio na tradição da camisa do Cruzeiro, quando as ceras Grand Prix apareciam em um grande círculo amarelo nas mangas da camisa. Mais recentemente, porém, duas marcas patrocinaram o Cruzeiro e adaptaram suas cores sem problema algum à camisa. Em 2007 a Xerox, vermelha, exibiu sua cor original apenas na camisa branca do clube. Na camisa azul, a marca ficou em branco. No ano seguinte a mesma situação com a Tenda Construtora, também vermelha, ficou escrita em branco na camisa azul. E isso, em momento algum, provocou a ira de grande parte da torcida, como agora.

Um exemplo é da camisa do Palmeiras em 2008. As tintas Suvinil exibiam sua tradicional marca, numa caixa amarela e vermelha, nas mangas da camisa. A torcida protestou e a Suvinil, sem nenhum problema, modificou seu logotipo apenas para a cor branca. O banco BMG já mostrou que é possível mudar suas cores, sem a perda de sua identidade visual, como na camisa do Atlético Goianiense e no próprio site oficial do Cruzeiro. Mas também já cometeu a mesma atrocidade nas camisas de Vasco e Coritiba.

As coisas da forma como estão, em pouco tempo os times brasileiros terão camisas como as dos clubes mexicanos. É uma pena.

Necaxa Monterrey


Jabulani – A bola da Copa

29/11/2009

Desde a Copa de 1970 a adidas é parceira oficial da FIFA, oferecendo todo o material esportivo para a entidade máxima do futebol, e patrocinando todas as Copas desde então. Dessa forma, desde o México, a empresa alemã é quem fabrica todas as bolas oficiais dos mundiais (não só da Copa do Mundo, mas também da Eurocopa).

Dia 5 de dezembro está marcado o lançamento oficial da bola da Copa de 2010, que se chamará Jabulani. Jabulani quer dizer “celebrar” em zulu (isiZulu), uma das 11 línguas oficiais da África do Sul. A Jabulani tem 11 cores, que simbolizam, além dos 11 idiomas, os 11 jogadores de um time e as 11 etnias que fazem da África do Sul o país mais diversificado da África.

As bolas das outras Copas:

1970 Telstar 1970 Telstar

1974 Telstar Durlast 1974 Telstar

1978 Tango Rosario 1978 Tango

1982 Tango España 1982 Tango

1986 Azteca 1986 Azteca

1990 Etrusco Unico 1990 Etrusco

1994 Questra 1994 Questra

1998 Tricolore 1998 Tricolore

2002 Fevernova 2002 Fevernova

2006 Teamgeist 2006 Teamgeist

2006 Teamgeist Gold (usada somente na final da Copa de 2006) 2006 Teamgeist Gold


Mascotes do Ziraldo

13/10/2009

A Copa União de 1987 foi o campeonato brasileiro daquele ano, organizado pelo Clube dos 13, ao invés da CBF. Dessa forma, novos projetos tentavam ser colocados em prática, principalmente envolvendo ações de marketing. Entre essas ações, foi contratado o cartunista Ziraldo para redesenhar os mascotes dos clubes daquela competição, a fim de vender produtos, entre outras coisas.

Os mascotes foram popularizados principalmente nos álbuns do Campeonato Brasileiro entre o final da década de 1980 e início da década de 1990. Por algum motivo, não se se não foi desenhado, nunca vi o mascote do Palmeiras.

Mais de 20 anos depois, Ziraldo voltou a desenhar mascotes para clubes de futebol brasileiros. O Corinthians encomendou um novo desenho, mais moderno, para o Mosqueteiro, que deixou de ser gordo e se tornou mais, digamos, esbelto. Como parte de ações de marketing também foram criados o Mosquetinho (para o público infantil) e a Mosqueteira (para o feminino).

E o Vitória, que não teve seu mascote desenhado em 1987, encomendou ao desenhista uma versão para o Leão, na comemoração dos 110 anos do clube, agora em 2009. Ziraldo fez duas versões para o clube baiano.

Atualização em 01/09/2018:

O leitor Marcos Vinícius Nascimento Berti nos enviou uma belíssima contribuição: uma reportagem da Revista Placar de maio de 1988. Na matéria, escrita por Renato Maurício Prado, o cartunista Ziraldo é entrevistado no momento de criação dos mascotes, para o Clube dos Treze. A matéria mostra alguns mascotes que posteriormente tiveram seus desenhos alterados, como a Raposa, do Cruzeiro, o Galo, do Atlético-MG, e a Baleia, do Santos. No caso do Botafogo, a matéria cita que Ziraldo tinha dúvidas entre o Manequinho e o cachorro Biriba, mas que tinha preferência por este segundo (inclusive tem o desenho). Posteriormente, o mascote oficializado do alvinegro foi o garoto fazendo xixi mesmo. E por fim a matéria cita uma eleição que a Placar estava fazendo para que os torcedores palmeirenses escolhessem entre seu mascote favorito: o periquito (que é o oficial) ou o porco (como a torcida acolheu). Não sabemos quem foi o vencedor desse pleito, mas o fato é que (pelo menos pra mim) são novidades estes mascotes do Palmeiras desenhados pelo Ziraldo, uma vez que nos álbuns dos anos 1980 e 1990 o periquito não tinha o desenho assinado pelo cartunista mineiro.

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Segue a matéria na íntegra:

Para trazer sorte
O Clube dos 13 contrata Ziraldo para recriar os símbolos do grandes times numa deliciosa e lucrativa jogada de marketing

Quando o primeiro time pintar na boca do túnel para entrar em campo na Copa União deste ano, virá acompanhado de uma nova mascote. Simpática, colorida, para – mais que sorte – trazer dinheiro aos clubes do Clube dos Treze.

Pois os dirigentes das maiores forças do futebol brasileiro acabam de contratar o cartunista Ziraldo para recriar – e, em alguns casos, criar – os símbolos de cada grande equipe do Brasil. Os novos desenhos aparecerão estampados em diversos produtos, levando um bicho extra para os quase sempre combalidos cofres dos clubes.

“Está mais que na hora de o futebol brasileiro entrar no tempo do marketing”, julga Ziraldo. Mineiro de Caratinga, 55 anos, o rubro-negro Ziraldo Alves Pinto está convencido de que o futebol tem uma única saída: reconquistar o público jovem ou morrer. “A garotada de hoje não entende mais por que o marinheiro Popeye foi o símbolo do Flamengo ou como o Pato Donald pode representar o Botafogo”, espanta-se. “Por isso, uma de minhas maiores preocupações neste trabalho foi rejuvenescer as mascotes.”

Assim, o Almirante do Vasco, por exemplo, será um menino e não um austero senhor bigodudo. Até mesmo o urubu rubro-negro – criação inesquecível de Henfil – terá traços jovens. “O importante é facilitar a identificação dos símbolos com a gurizada”, planeja o cartunista.

Mato sem cachorro

Nem tudo, porém, vai ser novidade. “Alguém pode imaginar o Atlético não sendo o Galo, ou o Cruzeiro algo que não a Raposa?”, pergunta Ziraldo. “Eles são imortais e vão continuar bem vivos.” Já não é o caso do Botafogo: “Esse é complicado até em mascote”, brinca. “Conversei com o presidente Althemar Dutra de Castilho e ele me pediu para fazer o Manequinho (famosa estátua de um menino fazendo xixi, em frente à sede do clube, no Mourisco) puxando pela coleira o ‘Biriba’ (o cachorrinho mascote do falecido dirigente Carlito Rocha). Não dava, né? Acabei optando pela figura solitária do ‘Biriba’. Ficou uma gracinha…”

Se Ziraldo encontrou a solução para o Botafogo, está num mato sem cachorro para o caso do Palmeiras. “É porco ou periquito?”, questiona, sem achar a resposta. E apela: “Acho que PLACAR deveria fazer um plebiscito entre a própria torcida”.

A proposta está lançada. “O negócio é agitar”, entusiasma-se Ziraldo. “Continuo sendo um apaixonado pelo nosso futebol. Espero que esses símbolos sejam apenas os primeiros passos para transformar o futebol num espetáculo moderno em termos de comunicação e de marketing.”

Renato Maurício Prado

 


Petrobrás Brasileirão 2009

30/08/2009

Como previsto no Parágrafo Único do Artigo 6º do regulamento do Campeonato Brasileiro de 2009, “A CBF poderá negociar comercialmente a adoção de uma outra denominação para o troféu de campeão brasileiro, através de contrato com patrocinador específico”. Eis que a partir dessa 22º rodada do Campeonato Brasileiro, o torneio passa a se chamar “Brasileirão Petrobrás 2009”. A empresa petrolífera brasileira deixou de patrocinar o Flamengo há poucos meses atrás, num contrato que durava desde 1984 e agora investe no naming rights do principal torneio de futebol do país.

Petrobras2009

Naming rights ou direitos de nome, não é nada mais do que quando uma empresa resolve comprar ou alugar o nome de algum lugar ou evento, colocando o próprio nome da empresa ou de algum produto. Por exemplo, aqui em Belo Horizonte, o antigo Marista Hall se tornou Chevrolet Hall.

Não é a primeira vez que a Série A tem seu nome associado à de uma empresa. Em 2005, a Nestlé comprou os direitos do torneio, que se chamou “Taça Nestlé Brasileirão 2005”, sendo que o Corinthians, campeão daquele ano, além da tradicional taça do Campeonato Brasileiro, também ficou com a Taça Nestlé.

Nestle2005

O segundo torneio mais importante do país, a Copa do Brasil, esse ano, pela primeira vez também teve seu nome associado a uma empresa. A Kia Motors patrocinou o torneio, que se chamou “Copa Kia do Brasil 2009”.

Naming rights no futebol são comuns em torneios internacionais. Na Europa temos a Liga Sagres (1ª divisão portuguesa), Liga Vitalis (2ª divisão portuguesa), Carling Cup (a Copa da Liga Inglesa). Essa última, inclusive, tem seus nomes ligados a alguma empresa desde 1982. Na América do Sul temos a Libertadores, que entre 1998 e 2007 foi a “Copa Toyota Libertadores” e a desde o ano passado se chama “Copa Santander Libertadores. Dos torneios da Conmebol também temos a “Copa Nissan Sudamericana” e a “Recopa Visa Sudamericana”.

Talvez esse seja o primeiro passo para um campeonato brasileiro mais organizado, em padrão próximo ao europeu. Quem sabe um dia seja regra os clubes jogarem com numeração fixa, nomes dos jogadores nas costas, patch da competição na manga da camisa… Além, claro, de um calendário melhor ajustado, jogadores de melhor qualidade, estádios confortáveis e seguros.