Cruzeiro 89 anos

02/01/2010

Há exatos 89 anos, em 2 de janeiro de 1921, uma reunião num prédio na Rua dos Caetés, no centro de Belo Horizonte, com cerca de cem desportistas de origem italiana fundava a Societá Sportiva Palestra Itália. Era o início daquele que se tornaria um dos nove principais clubes de futebol do Brasil, reconhecido internacionalmente, o Cruzeiro Esporte Clube. A ideia havia surgido em 1916, quando foi formado um combinado de jogadores de origem italiana em Belo Horizonte para a disputa de amistosos. Muitos dos jogadores eram vinculados ao Yale Athletic Club, o primeiro clube com jogadores ítalo-brasileiros na capital mineira. Daí a confusão ao dizer que o Yale deu origem ao Palestra. 13 jogadores saídos do Yale formaram o primeiro plantel do Palestra em 1921, que também contou com jogadores vindos do Atlético, Guarany e Ipanema. Os jogadores do Palestra eram em sua maioria também operários, moradores das regiões externas à Avenida do Contorno, na época o subúrbio da cidade. O primeiro estatuto do clube foi solicitado por correio ao Palestra de São Paulo, atual Palmeiras, e aprovado por unanimidade, excluindo-se apenas o item que exigia participação exclusiva do pessoas com origem italiana, o que fez o Palestra mineiro aumentar sua popularidade rapidamente.

A primeira partida do clube aconteceu em 3 de abril de 1921, contra um combinado entre o Villa Nova e o Palmeiras, ambos de Nova Lima. A partida no estádio do Prado Mineiro (atual sede do Batalhão da Polícia Militar de MG, no bairro Prado) terminou 2 a 0 para os palestrinos. Duas semanas depois, em 17 de abril, o primeiro clássico contra o Atlético. Nova vitória do Palestra, dessa vez por 3 a 0, também no estádio do Prado. O primeiro título veio em 1927, mas era referente ao Campeonato da Cidade de 1926, após a vitória de 10 a 1 sobre o Grêmio, de Belo Horizonte.

Em agosto de 1942 um decreto federal exigiu a extinção de todos aqueles itens que faziam referência aos países inimigos do Brasil na Segunda Guerra Mundial, entre eles a Itália. Dessa forma, em 2 de outubro, foi anunciado que o Palestra mineiro passaria a se chamar Ypiranga, em homenagem à independência do Brasil. Em 4 de outubro o clube disputou uma partida contra o Atlético, perdendo por 2 a 1, mas com o nome oficial ainda Palestra Itália. Na assembleia do dia 7 de outubro, foi sugerido o nome de Cruzeiro Esporte Clube e a adoção das cores azul e branco.

O Cruzeiro crescia rapidamente e aos poucos deixava de ser a terceira força do futebol mineiro para se tornar a primeira. A década de 1960 foi um marco na história do Cruzeiro e representou uma época de grandes feitos e conquistas de um time, que recebeu o nome de academia. A equipe de  Raul, Zé Carlos, Piazza, Natal, Tostão entre outros, conquistou o Brasil com duas vitórias sobre o Santos. Na decisão, duas vitórias memoráveis sobre o time de Pelé – 6 x 2, em 30 de novembro, no Mineirão, e 3 x 2, no dia 7 de dezembro, no Pacaembu.

Já na década de 1970, a segunda academia do Cruzeiro ficou marcada pelo título da Copa Libertadores. O adversário da final foi o River Plate, da Argentina. No primeiro confronto, em 21 de julho, o Cruzeiro aplicou 4 x 1, em Belo Horizonte. No segundo, no dia 28 do mesmo mês, perdeu de 2 x 1, em Buenos Aires. Mas dois dias depois, no tira-teima decisivo, em Santiago, no Chile, a equipe estrelada ganhou por 3 x 2 e levantou o troféu da competição.

Após um período difícil na década de 1980, sem grandes conquistas, a torcida azul voltou a sorrir em 1991, quando time celeste venceu a Supercopa, novamente levando a melhor sobre o River Plate. No ano seguinte, o torneio ficou mais uma vez nas mãos cruzeirenses, batendo outro clube argentino, o Racing.

Em 1997, veio o bicampeonato da Copa Libertadores. Na partida de ida da decisão, houve empate sem gols com o Spoting Cristal, do Peru, em 6 de agosto. Dali sete dias, no Mineirão, o Cruzeiro bateu o adversário por 1 x 0, dando início a mais uma belíssima festa da china azul.

O time estrelado tornou-se o maior vencedor da Copa do Brasil. Ao lado do Grêmio, detêm quatro conquistas da competição, vencendo as edições de 1993, 1996, 2000 e 2003. Neste último ano, inclusive, a equipe mineira conseguiu ainda os campeonatos Mineiro e Brasileiro, ganhando a denominação de campeão da Tríplice Coroa.

Para 2010, o Cruzeiro buscará o tricampeonato da Copa Santander Libertadores, um feito que quase conseguiu no ano passado. Para isso, o Clube aposta na manutenção da base e no terceiro ano seguido do técnico Adilson Batista à frente do bicampeão Mineiro.

Cruzeiro

Fontes: site oficial do Cruzeiro e Almanaque do Cruzeiro


Barcelona, enfim, Campió del Món

19/12/2009

FC BarcelonaA vitória apertada de 2 a 1 sobre o Estudiantes de La Plata, deu ao FC Barcelona o único título importante que faltava em sua imensa galeria de troféus: o de campeão do mundo. O clube catalão já havia perdido o título em duas oportunidades. Campeão da Champions League pela primeira vez na temporada 1991/1992, enfrentou o campeão da Libertadores daquele mesmo 1992, o São Paulo, na decisão da então Copa Europeia/Sulamericana, ou Toyota Cup, o que todos conhecemos como Mundial Interclubes. O Barcelona abriu cedo o placar do Estádio Nacional de Tóquio com o craque búlgaro Hristo Stoichkov aos 12 minutos. Porém Raí empatou aos 27 do primeiro tempo e virou aos 33 do segundo tempo, com um belo gol de falta. Aquele time do Barcelona, além de Stoichkov tinha outros bons jogadores como o dinamarquês Michael Laudrup, o zagueiro holandês Ronald Koeman, o goleiro espanhol Zubizarreta, além do atual técnico do time, Josep Guardiola.

Em 2006 já estava em disputa a Copa de Mundo de Clubes da FIFA, contanto com os campeões dos outros continentes além de Europa e América do Sul. Essa edição foi também disputada no Japão e o Barcelona já entrou na fase semifinal, onde humilhou o América do México, campeão da CONCACAF por 4 a 0, gols de Guðjohnsen, Rafa Márquez, Ronaldinho Gaúcho e Deco. Na final, no Estádio Internacional de Yokohama, enfrentou mais uma vez um clube brasileiro, o Internacional. O Barcelona pressionou o time gaúcho durante todo o jogo, mas sem sucesso. Até que numa bola lançada aos 37 do segundo tempo, o criticado Adriano Gabiru faz o gol que dá o título para o Colorado. O Barcelona era novamente vicecampeão mundial.

Esse ano a história pareceu que iria se repetir. O torneio foi disputado pela primeira vez na cidade de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Na semifinal novamente um adversário mexicano para o Barça, dessa vez o Atlante, de Cancún. O campeão da CONCACAF até abriu o placar aos 5 minutos do primeiro tempo, mas o clube catalão conseguiu a virada para 3 a 1 e mais uma chance para ser campeão mundial. Dessa vez, porém, o adversário não seria brasileiro, mas sim argentino. O Estudiantes de La Plata até tentou apelar para a superstição, entrandono Zayed Sports City de uniforme todo branco (o São Paulo e o Inter haviam vencido o Barcelona também vestidos de branco). Mesmo com a pressão do clube espanhol, o Estudiantes abriu o placar com Boselli aos 37 do primeiro tempo. O gol fez os argentinos recuarem ainda mais, mas o Barcelona não fazia o gol. O jovem Pedro, que entrou no intervalo finalmente empatou a partida aos 44 do segundo tempo, levando a decisão para a prorrogação. Um cansado Estudiantes não suportou mais a pressão do Barcelona que virou a partida aos 5 minutos do segundo tempo da prorrogação, com gol do argentino Lionel Messi, após cruzamento de Daniel Alves.

O Barcelona era campeão de tudo. Nesse ano de 2009, venceu a Tríplice Coroa: campeão espanhol, campeão da Copa do Rei (a Copa da Espanha) e campeão da UEFA Champions League (o campeonato europeu). Além disso, venceu a Supercopa Espanhola e a Supercopa da Europa. A Copa do Mundo de Clubes é o sexto título oficial do Barça no ano, algo talvez nunca atingido por nenhum clube. O atacante Pedro também conseguiu um feito inédito, sendo o primeiro jogador na história a marcar gols em seis competições diferentes no mesmo ano.

Este título foi também o quinto mundial de um clube espanhol. O Real Madrid foi campeão em 1960, 1998 e 2002 e o Atlético de Madrid campeão em 1974. O Estudiantes permanece com seu único título mundial em 1968.

Um detalhe: o Barcelona jogou a partida com seu uniforme reserva, cor “salmão”. Porém, para a cerimônia de premiação, todos os jogadores vestiram a camisa tradicional do clube, azul e grená. Algo louvável e que deveria ser repetido por todos os outros clubes campeões, que muitas vezes na hora de levantar um troféu, algo histórico, estão vestidos com camisas comemorativas ou outras quaisquer, exceto a verdadeira camisa do time.


Rio Branco de Andradas fora do Mineiro 2010

12/11/2009

Rio Branco de AndradasTradicional clube do sul de Minas, o Rio Branco de Andradas anunciou o fim do seu departamento de futebol. O principal motivo para este acontecimento foi as enormes despesas que o clube alegava ter com a reforma e manutenção do estádio municipal Juscelino Kubitschek (conhecido como Parque do Azulão), que era pertencente à prefeitura, mas que encontrava-se sobre regime de comodato para o Rio Branco (assim como o Independência está para o América, em Belo Horizonte). O estádio tem a capacidade de 5.000 pessoas e por isso, não pôde realizar a partida da semifinal entre Rio Branco e Atlético, no campeonato mineiro deste ano (as duas partidas foram realizadas no Mineirão). Na semana passada o Rio Branco devolveu o estádio à prefeitura, assim como também finalizou sua parceria com a Icasa (Indústria Cerâmica Andradense), que patrocinava o time há 22 anos.

O Rio Branco participou 18 vezes do Campeonato Mineiro da primeira divisão (o que é conhecido atualmente como Módulo I): de 1987 a 1993, 1995, 1996, de 1999 a 2004 e de 2007 a 2009. Venceu a segunda divisão (o módulo II) em 1998 e 2006. O Azulão da Mantiqueira também ganhou o título simbólico de “Campeão Mineiro do Interior” em 1990, 1992 e 2009.

Houve a possibilidade de a “franquia” Rio Branco se mudar para a cidade de Montes Claros nesse período, com o clube se chamando Rio Branco-Funorte, mas a ideia não foi colocada em prática. A diretoria pretende voltar com o futebol daqui a três anos e nesse período, encontrar parceiros para construir um estádio próprio (que também se chamará Parque do Azulão). Sendo assim, quando voltar, o clube terá que disputar a Segunda Divisão (que na verdade é a terceira).

América de Teófilo OtoniSem o Rio Branco, a FMF se reuniu extraordinariamente com os clubes do módulo I para definir quem ocuparia a vaga do Azulão. Somente os rivais da Caldense se opuseram à participação de um novo clube, sendo o campeonato seria disputado por apenas 11 equipes. Mas os outros 10 clubes apoiaram a decisão de que o terceiro colocado do módulo II de 2009 subisse para a primeirona. Dessa forma, o América de Teófilo Otoni fará sua estreia na elite do futebol do estado. O América teve uma ascenção meteórica: em 2008 estava na terceira divisão, terminando em segundo lugar; em 2009 já disputou a segunda divisão, ficando na terceira colocação; e ano que vem, como já foi dito, disputará a primeira divisão. O América será também o primeiro clube da cidade de Teófilo Otoni a disputar a primeira divisão. Vale lembrar que o atacante Fred (ex- Cruzeiro e Lyon, atualmente no Fluminense) é natural do município, embora tenha começado a carreira em outro América, o de Belo Horizonte.


Clássico da Semana: Palmeiras x Corinthians

31/10/2009

O clássico dessa semana novamente trata de dois dos maiores clubes do Brasil, mas dessa vez é um clássico paulista: Palmeiras x Corinthians.

Palmeiras Corinthians

A história do clássico começou em 1917, três anos após a fundação do Palestra Itália (atual Palmeiras). Na primeira partida os palestrinos venceram os corinthianos por 3 a 0, no Parque Antarctica, que nessa época ainda não pertencia ao clube alviverde. Até hoje foram disputados 330 jogos entre as duas equipes, com 120 vitórias do Palmeiras contra 112 do Corinthians. A última partida entre os dois ocorreu no primeiro turno do Campeonato Brasileiro de 2009, com vitória do Palmeiras por 3 a 0, em Presidente Prudente, com grande atuação do atacante Obina. A partida do próximo domingo também será em Presidente Prudente.

A maior goleada do clássico é favorável ao Palmeiras: um 8 a 0 em 1933. Entretanto, em 1956, o Corinthians venceu o rival por 6 a 4. A maior invencibilidade do clássico pertence ao Corinthians: 10 jogos, em duas oportunidades (entre 1948 e 1951 e entre 1952 a 1954). O Palmeiras conseguiu se manter invicto por 8 jogos entre 1997 e 1999. Nas últimas dez partidas, 6 vitórias do Palmeiras, 1 do Corinthians e 3 empates.

Palmeiras e Corinthians já decidiram o Campeonato Brasileiro de 1994, com o título ficando com o Palmeiras, que venceu o primeiro jogo da final por 3 a 1 e empatou o segundo por 1 a 1. Também se enfrentaram nas quartas de final da Libertadores de 1999, com o Palmeiras se classificando nos pênaltis ao vencer por 4 a 2 (as duas partidas terminaram 2 a 0, uma vitória para cada time). Voltaram a se enfrentar nas semifinais da Libertadores de 2000 e o alviverde novamente saiu vitorioso nos pênaltis, vitória por 5 a 4.

Uma curiosidade é que o apelido de “Porco”, hoje entoado pelos torcedores palmeirenses, foi dado pelos corinthianos como algo depreciativo. Em 1969, após uma partida, dois jogadores do Corinthians morreram num acidente automobilístico. O Campeonato Paulista daquele ano já estava no returno e o prazo de inscrição de jogadores já havia terminado. Mesmo assim o Corinthians tentou inscrever dois jogadores para a disputa no lugar dos falecidos. A Federação Paulista promoveu uma votação entre os clubes participantes do campeonato, para apurar se estes aprovavam o pedido do alvinegro. Ao contrário das outras equipes, o Palmeiras não permitiu essa inscrição extraordinária, ganhando o apelido dos adversários de “espírito de porco”. Na partida seguinte entre Palmeiras e Corinthians, os corinthianos soltaram um porco no gramado antes de a bola rolar, enquanto a torcida alvinegra gritava “Porco! Porco!”. Os palmeirenses não suportavam o apelido até o campeonato paulista de 1986, quando venceram o Corinthians por 5 a 1, e assumiram o apelido positivamente.

Raio X:

Nomes:
Sociedade Esportiva Palmeiras
Sport Club Corinthians Paulista

Fundação:
Palmeiras: 26 de agosto de 1914 (95 anos)
Corinthians: 1 de setembro de 1910 (99 anos)

Cores:
PAL: verde e branco
COR: preto e branco

Mascotes:
PAL: periquito
COR: mosqueteiro

Estádio:
PAL: Estádio Palestra Itália (Parque Antárctica): 28.000 pessoas
COR: manda os jogos no Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho (Pacaembu): 40.000 pessoas

Títulos internacionais:
PAL: 1 Libertadores (1999), 1 Copa Mercosul (1998)
COR: 1 Mundial (2000)

Títulos nacionais:
PAL: 4 Campeonatos Brasileiros (1972, 1973, 1993, 1994), 2 Torneios Roberto Gomes Pedrosa (1967, 1969), 2 Taças Brasil (1960, 1967), 1 Copa do Brasil (1998), 1 Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão (2003)
COR: 4 Campeonatos Brasileiros (1990, 1998, 1999, 2005), 3 Copas do Brasil (1995, 2002, 2009), 1 Supercopa do Brasil (1991), 1 Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão (2008)

Títulos regionais:
PAL: 5 Torneios Rio-São Paulo (1933, 1951, 1965, 1993, 2000)
COR: 5 Torneios Rio-São Paulo (1950, 1953, 1954, 1966, 2002)

Títulos estaduais:
PAL: 22 Campeonatos Paulistas
COR: 28 Campeonatos Paulistas

Camisa 1 do Palmeiras de 2009 Camisa 3 do Palmeiras de 2009

Camisa 1 do Corinthians de 2009Camisa 3 do Corinthians de 2009


Novos logos – Camarões e Costa do Marfim

15/10/2009

Com as novas camisas da Puma lançadas, também foram revelados os novos logotipos das federações de Camarões e Costa do Marfim.

Camarões antigo:
Logo anterior de Camarões

Camarões novo:
Logo novo de Camarões

 

 

 

 

 

 

Costa do Marfim antigo:
Logo anterior da Costa do Marfim

Costa do Marfim novo:
Logo novo da Costa do Marfim


Mascotes do Ziraldo

13/10/2009

A Copa União de 1987 foi o campeonato brasileiro daquele ano, organizado pelo Clube dos 13, ao invés da CBF. Dessa forma, novos projetos tentavam ser colocados em prática, principalmente envolvendo ações de marketing. Entre essas ações, foi contratado o cartunista Ziraldo para redesenhar os mascotes dos clubes daquela competição, a fim de vender produtos, entre outras coisas.

Os mascotes foram popularizados principalmente nos álbuns do Campeonato Brasileiro entre o final da década de 1980 e início da década de 1990. Por algum motivo, não se se não foi desenhado, nunca vi o mascote do Palmeiras.

Mais de 20 anos depois, Ziraldo voltou a desenhar mascotes para clubes de futebol brasileiros. O Corinthians encomendou um novo desenho, mais moderno, para o Mosqueteiro, que deixou de ser gordo e se tornou mais, digamos, esbelto. Como parte de ações de marketing também foram criados o Mosquetinho (para o público infantil) e a Mosqueteira (para o feminino).

E o Vitória, que não teve seu mascote desenhado em 1987, encomendou ao desenhista uma versão para o Leão, na comemoração dos 110 anos do clube, agora em 2009. Ziraldo fez duas versões para o clube baiano.

Atualização em 01/09/2018:

O leitor Marcos Vinícius Nascimento Berti nos enviou uma belíssima contribuição: uma reportagem da Revista Placar de maio de 1988. Na matéria, escrita por Renato Maurício Prado, o cartunista Ziraldo é entrevistado no momento de criação dos mascotes, para o Clube dos Treze. A matéria mostra alguns mascotes que posteriormente tiveram seus desenhos alterados, como a Raposa, do Cruzeiro, o Galo, do Atlético-MG, e a Baleia, do Santos. No caso do Botafogo, a matéria cita que Ziraldo tinha dúvidas entre o Manequinho e o cachorro Biriba, mas que tinha preferência por este segundo (inclusive tem o desenho). Posteriormente, o mascote oficializado do alvinegro foi o garoto fazendo xixi mesmo. E por fim a matéria cita uma eleição que a Placar estava fazendo para que os torcedores palmeirenses escolhessem entre seu mascote favorito: o periquito (que é o oficial) ou o porco (como a torcida acolheu). Não sabemos quem foi o vencedor desse pleito, mas o fato é que (pelo menos pra mim) são novidades estes mascotes do Palmeiras desenhados pelo Ziraldo, uma vez que nos álbuns dos anos 1980 e 1990 o periquito não tinha o desenho assinado pelo cartunista mineiro.

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Segue a matéria na íntegra:

Para trazer sorte
O Clube dos 13 contrata Ziraldo para recriar os símbolos do grandes times numa deliciosa e lucrativa jogada de marketing

Quando o primeiro time pintar na boca do túnel para entrar em campo na Copa União deste ano, virá acompanhado de uma nova mascote. Simpática, colorida, para – mais que sorte – trazer dinheiro aos clubes do Clube dos Treze.

Pois os dirigentes das maiores forças do futebol brasileiro acabam de contratar o cartunista Ziraldo para recriar – e, em alguns casos, criar – os símbolos de cada grande equipe do Brasil. Os novos desenhos aparecerão estampados em diversos produtos, levando um bicho extra para os quase sempre combalidos cofres dos clubes.

“Está mais que na hora de o futebol brasileiro entrar no tempo do marketing”, julga Ziraldo. Mineiro de Caratinga, 55 anos, o rubro-negro Ziraldo Alves Pinto está convencido de que o futebol tem uma única saída: reconquistar o público jovem ou morrer. “A garotada de hoje não entende mais por que o marinheiro Popeye foi o símbolo do Flamengo ou como o Pato Donald pode representar o Botafogo”, espanta-se. “Por isso, uma de minhas maiores preocupações neste trabalho foi rejuvenescer as mascotes.”

Assim, o Almirante do Vasco, por exemplo, será um menino e não um austero senhor bigodudo. Até mesmo o urubu rubro-negro – criação inesquecível de Henfil – terá traços jovens. “O importante é facilitar a identificação dos símbolos com a gurizada”, planeja o cartunista.

Mato sem cachorro

Nem tudo, porém, vai ser novidade. “Alguém pode imaginar o Atlético não sendo o Galo, ou o Cruzeiro algo que não a Raposa?”, pergunta Ziraldo. “Eles são imortais e vão continuar bem vivos.” Já não é o caso do Botafogo: “Esse é complicado até em mascote”, brinca. “Conversei com o presidente Althemar Dutra de Castilho e ele me pediu para fazer o Manequinho (famosa estátua de um menino fazendo xixi, em frente à sede do clube, no Mourisco) puxando pela coleira o ‘Biriba’ (o cachorrinho mascote do falecido dirigente Carlito Rocha). Não dava, né? Acabei optando pela figura solitária do ‘Biriba’. Ficou uma gracinha…”

Se Ziraldo encontrou a solução para o Botafogo, está num mato sem cachorro para o caso do Palmeiras. “É porco ou periquito?”, questiona, sem achar a resposta. E apela: “Acho que PLACAR deveria fazer um plebiscito entre a própria torcida”.

A proposta está lançada. “O negócio é agitar”, entusiasma-se Ziraldo. “Continuo sendo um apaixonado pelo nosso futebol. Espero que esses símbolos sejam apenas os primeiros passos para transformar o futebol num espetáculo moderno em termos de comunicação e de marketing.”

Renato Maurício Prado

 


Centenário do Coritiba

12/10/2009

Coritiba Foot Ball Club No dia 12 de outubro de 1909, há exatos 100 anos, era fundado aquele que se tornaria um dos grandes clubes do futebol brasileiro, o Coritiba Foot Ball Club.

O clube foi fundado como Corytibano, a forma como eram chamados aqueles que nasciam em Corytiba (grafia da época). Em abril de 1910, o clube mudou o nome para Corytiba. Dois anos mais tarde, a cidade mudou sua grafia para Curytiba, mas o clube preferiu não acompanhar a alteração. O “y” da cidade e do clube só caiu em 1915.

O primeiro jogo do clube aconteceu em 16 de junho de 1910, quando venceu o Ponta Grossa por 5 a 3.

O Coritiba manda seus jogos no estádio Couto Pereira, uma homenagem ao major cearense Major Antônio Couto Pereira, presidente do clube em 1926, 1927 e de 1930 a 1933. Foi ele quem começou a construção do estádio, inaugurado em 1932. Esse nome só foi oficializado em 1977, após o falecimento do homenageado. Até essa data o estádio se chamava Belfort Duarte, e ainda é conhecido também como Alto da Glória, o bairro onde está situado.

camisa_coritiba_2009 Como não admitia jogadores negros no time, o Coritiba era hostilizado pelos rivais. Em 1939, o atleticano Jofre Cabral xingou o beque Breyer Hanz Egon de “coxa-branca”. O termo ficou marcado e, anos depois, foi bem aceito pelo Coritiba.

O ex-goleiro Jairo é o jogador que mais jogou no Coxa (408 jogos oficiais e 32 amistosos). Com Jairo no gol o time foi hexacampeão (o goleiro foi titular nas conquistas de 1972/73/74/75/76) e, na década de 1980, quando Jairo voltou ao clube, levantou a taça de Campeão Brasileiro de 1985, como reserva.

O clube foi campeão paranaense pela primeira vez em 1916 mas só voltou a conquistá-lo em 1927. Em 1940 o clube foi convidado para inaugurar o estádio do Pacaembu, em São Paulo. Zequinha, jogador do clube, fez o primeiro gol no estádio, mas o Coxa perdeu por 6 a 2 para o Palestra Itália (atual Palmeiras). Em 1942 o Coritiba conquista seu primeiro bicampeonato estadual, e em 1947 e 1952 mais dois bicampeonatos. Em 1954 campeão e em 1956/57 bicampeão. Em 1959/60 o quinto bicampeonato. Em 1968 é campeão novamente, ao vencer o Atlético dos campeões mundiais Bellini e Djalma Santos. Em 1973 o Coritiba sagra-se campeão do Torneio do Povo, que reuniu Flamengo, Corinthians, Internacional e Atlético Mineiro.

Entre 1971 e 1976 o Coritiba se torna hexacampeão paranaense, igualando o feito do Britânia entre 1918 e 1923. No Brasileiro de 1979 o clube alcança sua melhor colocação até então, perdendo as semifinais para o Vasco. Em 1980 repete o feito, dessa vez derrotado pelo Flamengo.

Coritiba Campeão Brasileiro de 1985

Marco Aurélio levanta o troféu da Taça de Ouro (Campeonato Brasileiro)

Em 1985 aquele que foi o maior título do clube até hoje, a Taça de Ouro, como era chamado o Campeonato Brasileiro. Na primeira fase, em um grupo de 10 clubes, o Coxa terminou apenas na 7ª colocação com 5 vitórias em 20 jogos. Mas o regulamento previa que o campeão do turno e do returno se classificavam para a próxima fase, além dois dois clubes com mais pontos na soma dos dois turnos. O Coritiba ficou em 1º no returno do grupo e se classificou para a segunda fase. Na segunda fase, caiu num grupo com Sport, Joinville e Corinthians, terminando em 1º e classificando-se para as semifinais da competição. Na semifinal, venceu o Atlético Mineiro em casa por 1 a 0 e empatou fora por 0 a 0, sendo o primeiro clube paranaense a disputar a final do campeonato. A final deste ano foi disputada em apenas um jogo, e como o Bangu teve melhor campanha que o Coxa, a partida foi disputada no Maracanã. A partida terminou 1 a 1 no tempo normal. A prorrogação ficou em 0 a 0 e a decisão foi para os pênaltis. Nas cobranças, Índio, Marco Aurélio (que hoje é técnico), Édson, Lela, Vavá e Gomes marcaram para o Coritiba. Gilson Gênio, Pingo, Baby, Mário Marques e Marinho fizeram para o Bangu. Porém, na última cobraçna, o alvirrubro Ado desperdiçou e assim o Coritiba foi campeão brasileiro de 1985.

Com o título, no ano seguinte disputou a Taça Libertadores. Na primeira fase, terminou em primeiro num grupo com Bangu, e os equatorianos Deportivo Quito e Barcelona de Guayaquil. Porém, na segunda fase deu azar e caiu num grupo com Argentinos Juniors (atual campeão) e River Plate, ficando em 3º e sendo eliminado.

Em 1989, apesar do título estadual, o Coritiba foi rebaixado no campeonato brasileiro. O Coritiba queria disputar seu jogo decisivo, na última rodada, no mesmo horário que seu adversário direto. A CBF já havia dado essa permissão ao Vasco, mas não deu aos paranaenses. O clube resolveu então protestar e deixou o Santos esperando em campo, na partida que estava marcada para a cidade de Juiz de Fora. O STJD suspendeu o Coritiba das competições nacionais por um ano, além de rebaixá-lo para a segunda divisão.

Coxa 100 anos O Coxa só conseguiria retornar para a primeira divisão em 1996, após ser vice-campeão da Série B em 1995, perdendo o título para os rivais do Atlético Paranaense. Em 1999 o Coritiba volta a ser campeão paranaense após um jejum de 10 anos. Em 2001 perde a final da Copa Sul-Minas para o Cruzeiro. O título estadual só voltaria a ser conquistado em 2003. No mesmo ano, o clube fica em 5º lugar no Brasileiro, ganhando vaga para a Libertadores do ano seguinte. Mas num grupo com Sporting Cristal (PER), Rosário Central (ARG) e Olímpia (PAR), fica em terceiro lugar e é eliminado.

Em 2005, o clube vai mal no Brasileiro e é rebaixado, junto com Atlético Mineiro, Paysandu e Brasiliense. Em 2006, termina a Série B em 6º e permanece na segundona por mais um ano. Em 2007, porém, garante o acesso para a primeira divisão com algumas rodadas de antecedência. Na última rodada, vira a partida contra o Santa Cruz no último minuto, superando o Ipatinga e sendo campeão brasileiro da segunda divisão.

Por todos estes feitos, o Coritiba é considerado um dos 20 maiores do Brasil.